11 Segurar um objeto entre os dedos e perceber que nele há um pedaço da história. Analisá- lo, descobrir os detalhes, imaginar, pesquisar e entender o que cada um deles significa. Essa é uma sensação que os colecionistas conhecem bem. O relacionamento do ser humano com as coisas que o rodeiam já foi estudado por diferentes teóricos. O escritor espanhol Gómez de la Serna traz uma reflexão pertinente: as coisas são nossa salvação, se nas coisas encontramos o que significa sermos humanos. E é por isso que elas nos fascinam. Queremos conhecê-las para conhecermos a nós mesmos e a nossa própria história. O homem é um colecionador nato, e há indícios disso até mesmo na pré-história – ainda que, então, os itens fossem acumulados de forma desordenada. O começo do colecionismo, na verdade, não é consenso entre os pesquisadores. Enquanto alguns concordam em situá-lo nos tempos pré-históricos, outros indicam que o surgimento se deu na Idade Média, com as famosas coleções de armas e relíquias sagradas. Na Revolução Francesa (1789-1799), as coleções dão origem aos museus, que consideram os acervos públicos. O fato é que todo objeto pode ser encantador; depende dos olhos de quem o observa. Por isso existem colecionadores de selos – os filatelistas –, de carros, de cartões-postais, de cédulas, de moedas. Neste livro, queremos encantar estes últimos. Aqueles que se emocionam ao ver uma moeda cunhada sete séculos antes de Cristo, ao acompanhar a evolução do padrão monetário de uma região, ao observar a diferença entre as cunhagens de cada civilização – as dracmas e os estáteres gregos, os asses romanos. E, ainda, que desejem passear no Brasil pelos réis e suas muitas séries, pelos cruzeiros, cruzados e reais. A rigor, a numismática é o estudo científico das moedas – que são definidas como peças metálicas cunhadas por uma autoridade e que têm poder liberatório, ou seja, servem como dinheiro. Contudo, atualmente o termo vem sendo utilizado também como sinônimo ao colecionismo – algo controverso entre os estudiosos. O interesse em colecionar moedas foi observado pela primeira vez na aristocracia do Império Romano, e foi disseminado pelos reis europeus também na Idade Média. Coleções como a de Luís XIV, combinadas ao intento dos humanistas em resgatar a cultura antiga, foram um dos principais responsáveis pelo surgimento oficial da numismática durante o Renascimento, quando se viu a organização dessas coleções. Hoje, são inúmeros os grupos de pessoas apaixonadas pela história e pela arte gravada nas moedas. O grande desafio de um colecionador é incorporar raridades ao seu acervo. A dificuldade em encontrar uma moeda, seu estado de conservação e o número de colecionadores que a querem são o que determina o valor de uma moeda, e não necessariamente o quão antiga ela é. Colecionismo: Objetos que fascinam

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