18 A história da moeda no mundo CAURI Ao invadirem a Uganda, entre os séculos XVII e XVIII, os britânicos tentaram substituir os cauris por suas moedas. Sem sucesso, tiveram que estabelecer uma equivalência de câmbio: 200 cauris = 1 xelim e 4 pence 3 mil cauris = 1 libra GADO, SAL E CONCHAS Cada palavra que usamos é uma viagem no tempo. E poucas coisas nos fazem ir tão longe quanto pensar sobre as nossas origens. Ao refletirmos sobre elas, estamos também pensando a respeito das trocas comerciais, que surgiram junto com o ser humano. Por exemplo: hoje, quando usamos o termo pecúnia para nos referirmos a dinheiro, estamos nos transportando para a Grécia do século VIII a.C. Se, então, alguém quisesse comprar um homem, teria que desembolsar 100 cabeças de gado. Se fosse comprar uma mulher, gastaria de 20 a 40. Gado se traduz na palavra latina pecus , e eis aí a origem do termo. Mas, convenhamos, um boi não é a forma mais prática de fazer um pagamento. Por isso, mais tarde, surgiu a ideia de gravar a sua imagem em uma peça pequena de valor comercial. Contudo, o gado está longe de ser o item mais estranho a ser usado como moeda de troca: mandíbulas de porco, peles e sal – dando origem ao termo salário, aliás – são apenas alguns exemplos. Algumas tribos indígenas da América do Norte faziam pagamentos com o escalpo de inimigos. Entre os tipos mais utilizados de moedas primitivas, porém, estiveram itens bem mais inofensivos: as conchas, sendo o cauri , uma concha branca ou amarelada, e o zimbo, um búzio cinzento, os mais conhecidos. Com 50 zimbos, comprava-se uma galinha e, com 300, uma cabra. Um escravo valia mais ou menos 70 quilos de cauris. LÍDIA De acordo com os pesquisadores Ian Carradice e Martin Jessop Price, na Lídia, uma moeda equivalia a um mês de subsistência. O arqueólogo Robert Manuel Cook acreditava que o valor era maior: uma moeda poderia comprar 11 ovelhas, o que contrasta com a visão de outro estudioso do tema, Michael Mitchiner, que aponta que seria possível comprar apenas uma ovelha ou três jarras de vinho. A Lídia também fica com o mérito de criar, em 550 a.C., as primeiras moedas de ouro e prata. Dois séculos depois, em 330 a.C., o conquistador Dario foi a primeira personalidade a ter o seu retrato gravado em moedas. As de ouro receberam o nome de dáricos, e as de prata, siclos. As duas tinham a figura do rei no anverso. Naturalmente, quando o metal foi descoberto, passou a ser utilizado como moeda, primeiramente em estado natural, como era encontrado e, mais tarde, como barras ou no formato de objetos. No primeiro milênio antes de Cristo, a fabricação de moedas começou. Elas eram forjadas com inspiração em itens do dia a dia: havia moedas na forma de faca, chave, espetos, anéis, machados e até mesmo pão. Mas e quem, afinal, ganha o título de criador da moeda? A disputa é acirrada. O feito é reivindicado pelos reis da Lídia , na Anatólia, atualmente região da Turquia. Por volta do século VII a.C., foram vistas ali pequenas moedas irregulares, de formato arredondado e feitas em eletro, uma liga natural de ouro e prata. No anverso, havia uma cabeça de leão; no reverso, uma marca de garantia. Mas a resposta não é tão fácil. Há quem diga que a criação da moeda pode ser atribuída aos reis da Macedônia, ao rei Fidone de Argo, aos administradores de Egina ou mesmo ao povo chinês – que já ganha os créditos pela criação do papel-moeda. Os sumérios também tiveram um papel importante nessa história. Apesar de não serem os inventores da moeda, atribui-se a eles a criação do conceito que hoje temos de dinheiro. No século V a.C., esse povo fixado na Babilônia e na Assíria desenvolveu

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