20 NAVIO Acredita-se que a referência aos navios nas moedas romanas do século IV a.C. seja uma homenagem à vitória de Anzio, em 338 a.C., durante a Segunda Guerra Latina. Os romanos arrancaram as proas dos navios inimigos e as levaram ao fórum como sinal de triunfo. ÓVNIS E NUMISMÁTICA Eram os deuses astronautas? A pergunta-título do livro de Erich von Däniken é bastante pertinente neste caso: algumas moedas romanas têm gravadas imagens de estrelas e esferas celestes que em muito lembram eventos sobrenaturais. IMORTALIZADOS Duzentos e quinze personagens foram imortalizados em moedas em cinco séculos de Roma Antiga. Pelo menos 181 famílias marcaram as moedas de Roma com seu nome. Roma demorou um pouco a descobrir seu talento para a cunhagem de moedas. Quando, no século IV a.C., a moedagem já era uma forma de arte na Grécia e na Sicília, Roma ainda utilizava animais como principal moeda de troca. Por volta de 335 a.C., quando a República Romana descobria seu potencial para guerrear e legislar, surgiu a primeira moeda oficial, feita de bronze pesado e de forma arredondada, o aes grave , também chamado de ás ou asse . No anverso está Jano, deus romano das mudanças e transições, com duas cabeças. Roma ainda não era uma potência marítima, mas o reverso mais comum nos asses era a proa de um navio . Estima-se que a moedagem imperial tenha iniciado com César, em 44 a.C., em uma transição da República. Foi com ele que, pela primeira vez, a efígie de uma pessoa viva apareceu em uma moeda de Roma e, nesse período, tornou-se comum a representação de líderes e personagens de destaque da política. Pode-se dizer que os romanos recuperaram o tempo perdido na cunhagem de moedas: tiveram uma das mais contínuas moedagens, de 335 a.C. a 476 d.C, destacando-se também pela variedade – utilizaram todos os tipos de metais. Aes grave Item não integra o acervo histórico da Coleção Santander Brasil Museu de Valores do Banco Central LÍDERES: DA MEMÓRIA À DANAÇÃO Quando os imperadores romanos faleciam de forma violenta ou suspeita, os sucessores imediatamente ordenavam ao senado a consagração do morto – até para provar que não estavam envolvidos no ocorrido. Para que a consagração se tornasse pública, eram emitidas moedas com as legendas Consecratio Aeternitas ou Aeternae Memoriae , na tradução, Consagração para a eternidade ou De eterna memória. Porém, o contrário também era comum. O imperador romano Marco Aurélio Antonino, conhecido como Caracala, queria que a existência do irmão fosse apagada da história. Primeiro, mandou matá-lo. Depois, para consumar o esquecimento, ordenou que eliminassem tudo que remetesse a sua memória – inclusive as moedas. O procedimento ficou conhecido como Damnatio Memoriae (Danação da memória) e foi bastante utilizado ao longo da história: é possível achar muitas unidades com nomes apagados por abrasão nas legendas. Ilustração da Aes grave, primeira moeda oficial de Roma Item não integra o acervo histórico da Coleção Santander Brasil
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