45 DO ESCAMBO ÀS CASAS DA MOEDA A primeira transação comercial no Brasil aconteceu minutos depois de os portugueses chegarem ao país, no dia 22 de abril de 1500. Eles ofereceram aos índios que aqui estavam um barrete vermelho, uma carapuça de linho e um sombreiro. Em troca, receberam um chapéu de penas e um colar de contas. Mas a história do dinheiro, contada aqui pelas moedas do acervo da Coleção Santander Brasil, começou um pouquinho mais tarde, em 1532, no reinado de D. João III. Era o início do primeiro período da moeda do Brasil, a Colônia, que duraria até 1822. Até a criação da Casa da Moeda da Bahia, em 1694, as unidades que circulavam no país eram portuguesas e, a partir de 1587, também espanholas, feitas de prata. Entre os anos de 1630 e 1654, quando os holandeses tomaram o Nordeste, para driblar a ausência de dinheiro os invasores enviaram 27 mil florins em moedas de um soldo, dois soldos e xelins para Pernambuco. Em 1642, criou-se um conselho de finanças para tentar evitar o caos econômico que imperava na região. Abriu-se, então, uma caixa vinda da Guiné e, com o ouro que ela continha, cunhou-se pela primeira vez moedas no Brasil, em 1645 e 1646, na cidade do Recife. De formato quadrangular, os florins e soldos cunhados então foram chamados de Ducado Brasileiro. No anverso, o emblema da Companhia das Índias Ocidentais; no reverso, as palavras Anno , com a data de 1645, e Brasil . O numerário ficou conhecido como “obsidionais”, expressão que significa algo como “moedas cunhadas durante situação de cerco”. Após uma série de conflitos e negociações, os holandeses foram expulsos do território brasileiro em 1654, quando os portugueses retomaram o domínio da região. Pouco antes disso, os invasores cunharam moedas de emergência a partir de baixelas de prata, que depois foram proibidas pela Coroa Portuguesa de circular. Moedas obsidionais, cunhadas entre 1630 e 1654 Item não integra o acervo histórico da Coleção Santander Brasil Acervo Instituto Ricardo Brennand, Recife, PE, Brasil Item não integra o acervo histórico da Coleção Santander Brasil Museu de Valores do Banco Central do Brasil VARIEDADE No período colonial, muitas moedas de fora circularam no Brasil. Entre as que vieram com as primeiras frotas portuguesas estavam escudos, cruzados, de ouro; reais grossos e chinfrins, de prata; espadins, reais brancos e cotrins, de bilhão (liga normalmente formada por cobre e prata); justos, de ouro; cinquinhos de prata; e a moedagem do el-Rei D. Manoel. Depois, os portugueses trouxeram, entre outras moedas, as peças de D. João III, como os dobrões, dobras e cruzadinhos novos. ENTERRADO Em 1640, commedo de novos conflitos na região Nordeste, as pessoas enterravam o dinheiro que possuíam para protegê-lo, o que agravou ainda mais a crise do meio circulante brasileiro. A MAIS PESADA A moeda mais pesada a circular no mundo é brasileira. Com 53,78 gramas, o dobrão de 20 mil réis foi cunhado entre 1724 e 1727, na Casa da Moeda de Minas Gerais.

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