47 TURBULÊNCIA No início de 1822, a Casa da Moeda baiana teve que paralisar as suas atividades, com o acirramento das relações entre Portugal e Brasil, que reivindicava a consolidação da Independência. Nesse período, passou a funcionar no Recôncavo Baiano. Após a Independência, quando voltou a Salvador, a Casa passou a cunhar moedas com as inscrições Petrus I Dei Gratia Constitutionalis Imperator Et Perpetuus Brasiliae Defensor (Pedro I, por graça de Deus, imperador constitucional e defensor perpétuo do Brasil). Uma nova série de réis foi cunhada com a letra “J” Coleção Santander Brasil Nos últimos anos do século XVII, a descoberta do ouro no território brasileiro fez com que o metal passasse a ser usado como moeda. Primeiramente, em pó, grão ou folhetas. Depois, em barras. Era comum que, pela ausência de troco no meio circulante, fossem utilizados vales emitidos por particulares – e, por mais que o Império exigisse a retirada deles, seguiam circulando em diversos formatos. Em geral, declaravam o tipo de trabalho a ser realizado – vale uma barba e vale um carreto, por exemplo. Foi aí que surgiram as casas de fundição: a Metrópole precisava ter mais controle sobre o ouro da Colônia. Nelas, o metal era transformado em barras, que deveriam ser registradas. Os exploradores das minas tinham, então, que pagar à Fazenda Real a quinta parte dos metais – imposto que ficou conhecido como o Quinto, contra o qual a população de Vila Rica, em Minas Gerais, se mobilizaria na Inconfidência Mineira, em 1789. Essas casas foram extintas em 1832. SÉRIE J No reinado de D. José I em Portugal e Algarves, de 1750 a 1777, cunhou-se no Brasil moedas em prata de 75, 150, 300 e 600 réis. Para que fossem diferenciadas das patacas, receberam a gravação da letra J, que acabou dando nome à série. CARA OU COROA? Apesar de o padrão monetário seguir o mesmo, os réis brasileiros podem ser divididos em mais de uma série. Uma das mais conhecidas foi a dos Escudos, cunhada a partir de 1727. Quando alguém que precisa tomar uma decisão joga uma moeda para o alto e grita: “Cara ou coroa?”, é graças a essas peças de ouro. Elas apresentavam a figura do rei D. João V em uma das faces – a cara – e um escudo encimado por uma coroa na outra. PARA A ÁFRICA As moedas brasileiras já foram à África. Em 1813, 1815, 1819 e 1822 a Casa da Moeda da Bahia e a do Rio de Janeiro cunharam moedas de cobre destinadas às colônias portuguesas de São Tomé e Príncipe e de Moçambique, e as macutas, para Angola. Réis, anos variados Coleção Santander Brasil A PIEDOSA Conhecida a um só tempo como “a Piedosa” e “a Louca”, Maria I foi rainha de Portugal e Algarves de 1777 até a sua morte, em 1816, e também do Brasil, a partir do final de 1815. Durante o seu reinado, ficou marcada nas moedas brasileiras. Ela foi retratada ao lado do marido, D. Pedro III, em diferentes momentos da vida. Depois da morte dele, em 1786, passou a ser representada sozinha, vestindo um véu de viúva e, em 1789, terminado o luto, com um toucado ornado, como visto na imagem acima. Moeda conhecida como Véu Toucado, de 1789 Coleção Santander Brasil

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