Palco Giratório 2025

089 Olhando para a linha do tempo, gosto de lembrar que o Projeto Mam- bembão foi criado em 1978, pelo então Serviço Nacional de Teatro (SNT), em plena ditadura civil-militar, e o Palco Giratório em 1998, por iniciativa do Departamento Nacional do Sesc, já no período de rede- mocratização do país. Portanto, um intervalo de 20 anos entre aquele marco da circulação de artes cênicas, que levava espetáculos de ou- tras unidades da federação às cidades do Rio de Janeiro e de São Pau- lo, e a horizontalidade radical do Palco Giratório ao enredar as cinco regiões em difusão, itinerância e intercâmbio. A breve cronologia dá a dimensão da proeza impressionante do Festi- val Palco Giratório Sesc em Porto Alegre ao completar duas décadas. De modo singular, a regional do Rio Grande do Sul abraçou a jornada anual pelas searas do teatro, da dança, do circo e da performance. Proporcionou um sentido de pertencimento às pessoas artistas e ao público local a partir de experiências atravessadas por identidades, pensamentos e fazeres Brasil adentro. Sempre que tive a chance de acompanhar parte da programação, vol- tei para casa alentado pela costura prática, reflexiva e intergeracional de arte, cultura e cidadania. Um Festival pujante na abertura à alte- ridade e na autonomia de voo sem abrir mão da essência do projeto Palco Giratório. Valmir Santos / SP Jornalista, crítico e editor do site Teatrojornal – Leituras de Cena

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