49 THE FOOD OF LOVE O manjar do amor (Noite de reis, ato I, cena1) Se a música é o manjar do amor, segue a tocar; Dá-me os excessos de um festim que me sature, Para que o apetite se converta em náusea e morra. Canta de novo aquela parte! Era tão triste: Soprou em meus ouvidos como a brisa doce Que varre uma encosta onde as violetas crescem Arrastando consigo o seu perfume! Basta: Já não soa tão doce quanto soou antes. Ah, espírito do amor! Tão fresco és, tão volátil, Que, embora sejas amplo e vasto como o oceano, Tudo o que em ti deságua, como os rios no mar, Por mais valioso e melodiosamente belo, Acaba por perder o lustro e fenecer Num minuto: o capricho do amor é tão cambiante Que ele, e só ele, habita a alta-fantasia.
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