52 FEAR NO MORE THE HEAT OF THE SUN Não deves mais temer o sol ardente (Cymbeline, ato IV, cena2) Não deves mais temer o sol ardente, Nem os furiosos ventos invernais; Cumpriste o teu dever, e finalmente Pra casa, com teu prêmio, voltarás: Meninos lindos e meninas tornarão Ao pó, qual flor de um dente-de-leão. Do poderoso a fúria já não temerás; Estás além dos golpes do tirano; A fome e o frio não te preocupam mais; Têm o junco e o carvalho igual tamanho; Rei, erudito, médico, os espera A todos um destino: o pó e a treva. Não deves mais temer raio e trovão, Nem a terrível pedra-da-tormenta; Não temas a calúnia e a repreensão; Findada está a alegria e a dor violenta; Todos os amantes jovens, despidos de abraços, Retornarão ao pó e seguirão teus passos. Não poderá ferir-te o necromante! Não haverá feitiço que te encante! Deixem-te em paz as almas conturbadas! Que o mal não se aproxime à tua morada! Que a derradeira paz te seja leve; E tua sepultura seja célebre.
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