educaSesc

EDUCA SESC 12 2017 Para tanto, as ações com responsabilidade, solidariedade e respeito, tomadas por meio do diálogo nas mais diversas situações, e o comprometimento com o coletivo são atos de cidadania. A prática destes atos de cidadania proporciona às crianças exemplos de atitudes éticas em situações reais, em que elas vivenciam experiências, tornando-se mais autônomas e desenvolvendo potencial para a análise consciente dos valores que adotarão para si. Nesse contexto, realizam-se as assembleias escolares. Nelas, todos são sujeitos da aprendizagem, interpretam e constroem valores éticos e morais tomando consciência dos seus sentimentos e também dos sentimentos dos outros, protagonizando de forma autônoma as decisões, desenvolvendo capacidades dialógicas e democráticas, competências para lidar com a diversidade e com o conflito de ideias, com as influências da cultura. Outro eixo essencial é a construção coletiva das regras de convivência. Dessa forma, todos sabem exatamente o porquê das regras e exercitam os princípios democráticos da justiça, igualdade e equidade (reconhecem o princípio da diferença dentro da igualdade). As assembleias possibilitam a discussão de princípios e atitudes para a construção das regras coletivas e para a resolução de conflitos no grupo. O respeito às ideias e opiniões adversas, baseado na compreensão e cooperação, leva as crianças a refletirem democraticamente e a proporem negociações. O modelo das assembléias é o da democracia participativa, que tenta trazer para o espaço coletivo a reflexão sobre os fatos cotidianos, incentivando o protagonismo das pessoas e a co-participação do grupo na busca de encaminhamentos para os temas abordados, respeitando e naturalizando as diferenças inerentes aos valores, às crenças e aos desejos de todos os membros que delas participam. Com isso, nem sempre o objetivo é o de se obter consenso e acordo, e sim o de explicitar as diferenças, defender posturas e ideias muitas vezes opostas e, mesmo assim, levar as pessoas a conviverem nummesmo espaço coletivo (ARAÚJO, 2004). O ato de expressar coletivamente seus pensamentos e sentimentos sobre os mais diversos assuntos que envolvem suas relações de convivência, na classe e fora dela, e aprenderem a negociar as soluções para os problemas, a compartilhar e participar nos processos decisórios, faz com que cada criança naturalmente se sinta parte do todo. Todos têm seu espaço reconhecido e aprendem a respeitar os limites que o convívio requer, tendo direito à palavra e a participar de decisões, vivendo a liberdade de expressão num contexto de comunicação em que cada um passa a existir como sujeito ativo. Os projetos educativos que enfatizam a perspectiva de trabalhar os conflitos e os problemas humanos como um elemento essencial de sua organização proporcionam uma convivência com autonomia, na qual os protagonistas têm uma melhor qualidade de vida, de acordo com Sastre e Moreno: Formar os(as) alunos(as), desenvolver sua personalidade, fazê- los(as) conscientes de suas ações e das consequências que acarretam, conseguir que aprendam a conhecer melhor a si mesmos(as) e às demais pessoas, fomentar a cooperação, a autoconfiança e a confiança em suas companheiras e seus companheiros, com base no conhecimento da forma de agir de cada pessoa, e a beneficiar-se das consequências que estes conhecimentos lhes proporcionam. A realização destes objetivos leva a formas de convivência mais satisfatórias e a melhoria da qualidade de vida das pessoas, qualidade de vida que não se baseia no consumo, e sim em gerir adequadamente os recursos mentais... intelectuais e emocionais – para alcançar uma convivência humana muito mais satisfatória (2002, p.58). A assembleia encaminha o conhecimento dos valores e princípios éticos que devem fundamentar o grupo. Ao mesmo tempo, evidentemente, permite a construção psicológica, social, cultural e moral do próprio sujeito, em ummovimento dialético em que o coletivo transforma e constitui cada indivíduo. METODOLOGIA As assembleias têm periodicidade semanal ou quinzenal, conforme a necessidade. O tempo de duração varia entre 40 e 60 minutos, com horário previamente definido. Juntamente com as crianças, são definidos o coordenador, que dá início às discussões, e o secretário, que registra a ata, anotando tudo o que foi discutido durante a assembleia. Na sala de aula, disponibiliza-se uma caixa para os alunos depositarem bilhetes anônimos com críticas, felicitações ou sugestões para a assembleia. Esta caixa é recolhida pelo coordenador que organiza a pauta. A reunião inicia com o coordenador esclarecendo o direito que todos têm de se manifestar, garantindo o direito da palavra, e abre espaço para os participantes sugerirem regras para o coletivo. Após a leitura dos bilhetes escritos pelos alunos, o coordenador da assembleia pede aos participantes que apresentem propostas para que o problema não volte a se repetir, ou então, que auxiliem os colegas a se conscientizarem das consequências do conflito e a cumprirem as normas acordadas. RESULTADOS E DISCUSSÕES De forma pacífica e democrática, os envolvidos no Projeto Habilidades de Estudo (PHE) desenvolveram- se em autonomia e protagonismo, respeitando-se mutuamente, buscando e (re)descobrindo direitos. Muitas situações foram analisadas, discutidas e solucionadas em conjunto. Seguem alguns depoimentos (os nomes são fictícios): A assembleia nos ajuda a conviver muito melhor do que antes. Estamos felizes sembrigas. (João, 8 anos) Gosto de poder me manifestar sem ninguémdizer que sou chata. (Ana, 6 anos) Umdos momentos mais legais no PHE é a abertura das caixas e leitura dos bilhetes. No começo, todos querem falar aomesmo tempo, mas depois melhora. (Denise, 10 anos) Sei que é necessário fazer isso para todos nós participarmos e decidirmos sobre nossos assuntos. (André, 9 anos) Eu prefiro sugestionar ao invés de criticar, porque aminha crítica pode se transformar numa sugestão para melhorar. (Melissa, 11 anos) Depois das reuniões das assembleias, meus amigos me respeitammais e eu parei de ser tão brigão. (Ricardo, 8 anos) Adorei ir conversar comas pessoas para que nossos pedidos sejamatendidos. Só não gosto quando eu voto numa sugestão e amaioria vota contra, mas eu entendo que temque seguir a democracia. (Isadora, 7 anos) Nas assembleias, determinações são adotadas, sugestões, insatisfações e elogios são expressos, recompensas e medidas são decididas, são reconhecidos os sucessos e os fracassos, supervisionados os projetos coletivos e cada participante é responsabilizado. O protagonismo é

RkJQdWJsaXNoZXIy NjI4Mzk=