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13 EDUCA SESC 2017 uma das características necessárias para que as crianças possam fazer a diferença no ambiente em que estão inseridas, podendo promover mudanças positivas, identificar oportunidades e tomar iniciativas. CONSIDERAÇÕES FINAIS A reunião tem um papel decisivo e contribui para a resolução dos problemas do grupo de forma harmoniosa e democrática. Os professores têm a oportunidade de conhecer melhor as crianças em situações que não são possíveis no dia a dia. O espaço das assembleias propicia mudanças no modo como as relações interpessoais são estabelecidas dentro do Projeto Habilidades de Estudos, as quais permitem a construção de um ambiente educativo mais democrático e com mais diálogo. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ARAÚJO, Ulisses F. Assembléia Escolar: um caminho para a resolução de conflitos. São Paulo: Moderna, 2004. MACHADO, N. Cidadania e Educação. São Paulo: Escrituras, 1997. PUIG, Josep. Democracia e Participação Escolar: propostas de atividades. São Paulo: Moderna, 2000. MORENO, M. et al. Falemos de Sentimentos: a afetividade como um tema transversal. São Paulo: Moderna, 1999. _____ . Práticas Morais e Culturais. São Paulo: Moderna, 2004. ANY SHEILA MADEIRA, licenciada em Pedagogia – Educação Infantil e Séries Iniciais pela Universidade do Planalto Catarinense (Uniplac), com pós-graduação em Alfabetização e Letramento (Facinter, Curitiba/PR) e em Gestão de Pessoas (Uniplac); mestranda em Educação – Formação de Professores (Funiber). É instrutora pedagógica do Projeto Habilidades de Estudo (PHE) no Sesc Erechim/RS. [asmadeira@sesc-rs.com.br ] LETÍCIA ZABOT, licenciada em Pedagogia pela Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI), com pós-graduação em Educação Infantil e Séries Iniciais (EADCOM). É instrutora pedagógica do Projeto Habilidades de Estudo (PHE) no Sesc Erechim/RS. [lzabot@sesc-rs.com.br] CRIANÇA NÃO TRABALHA (Arnaldo Antunes) Lápis, caderno, chiclete, peão Sol, bicicleta, skate, calção Esconderijo, avião, correria, Tambor, gritaria, jardim, confusão Bola, pelúcia, merenda, crayon Banho de rio, banho de mar, Pula sela, bombom Tanque de areia, gnomo, sereia, Pirata, baleia, manteiga no pão Giz, merthiolate, band aid, sabão Tênis, cadarço, almofada, colchão Quebra-cabeça, boneca, peteca, Botão, pega-pega, papel papelão Criança não trabalha Criança dá trabalho Criança não trabalha 1, 2 feijão com arroz 3, 4 feijão no prato 5, 6 tudo outra vez Pensar a hiperatividade infantil, na atualidade, remete a um quebra-cabeça cujas peças transcendem o aspecto puramente mental, organicista ou químico, no momento em que nos deparamos com um tempo e um momento social hiperativos em que prevalecem o imediatismo, a aceleração, a quebra de limites e referenciais, em um tempo explosivo e em um espaço bastante “comprimido”. As relações entre tempo e sociedade estão centradas na mudança de ritmos temporais que surgiram com a modernidade. Hoje, a pós- ultramodernidade, marcada pela sociedade em rede, traz uma nova compreensão espaço-tempo, que terá um impacto direto sobre as práticas sociais e culturais, determinando uma tendência à fragmentação e à efemeridade temporal. O tempo mais estático, com relações sociais e de emprego mais fixas, cede lugar ao tempo explosivo, acelerado, à frente de si mesmo. Indaga-se sobre os efeitos dessas mudanças em alguns sintomas infantis atuais, particularmente a hiperatividade, como um reflexo da supremacia do tempo e do ato à frente do pensamento, transcendendo o aspecto puramente mental, organicista ou químico. Muitas questões e inquietações surgem a respeito da hiperatividade, a começar pela nomeação: “um transtorno”− como se a dimensão de tal diagnóstico coubesse em si, supondo que seu peso pudesse ser suportado ou carregado somente pelos ombros da infância. Nossas crianças fazem jus a tal nomeação? Suportam tal nomeação? O que sentem ou o que querem nos dizer as crianças ditas “hiperativas”no contexto de um tempo explosivo, de relações em rede, instáveis e cambiáveis, suturadas com fios metonímicos, muitas vezes, sem nenhuma amarração interativa, vincular, simbólica, com as conexões reduzidas a imagens voláteis, aceleradas e até mesmo alucinatórias? Um“Transtorno”de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é determinado somente por fatores neurobiológicos? Nossas crianças “hiperativas”estão transtornadas? Um sintoma emocional, na criança, é apenas a “ponta do Hiperatividade Infantil: esse sintoma pertence às crianças? POR JOSÉ RENATO BERWANGER CARLAN

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