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19 EDUCA SESC 2017 significativas como: a redução do espaço físico, por consequência do crescimento dos centros urbanos e da falta de segurança; a diminuição do tempo disponível à estimulação lúdica; a expansão da indústria, que passou a oferecer brinquedos mais atraentes e vinculados ao consumismo, influenciados pela propaganda e mídia televisiva (FRIEDMANN, 2006). Venâncio e Freire (2005) relatam que a infância é envolvida profundamente em atos de brincadeiras e fantasias – um aspecto intrínseco ao ser humano, que tem como uma de suas características a capacidade de brincar. Predominantes no universo das crianças, as brincadeiras trazem significados importantes para o seu mundo. Conforme Huizinga (1971), o jogo é uma atividade desligada de todo e qualquer interesse material, ou seja, com ele não se obtém lucro. Porém, é necessário seguir certa ordem e certas regras. A atividade promove a formação de grupos sociais com tendências a se rodearem de segredo. Em linhas gerais, o jogo é a ação praticada pelo coletivo, por suas regras e identidades – recorrência, conflito e tradição. Com tantas variáveis, é comum que os participantes, no início do jogo, estejam na fase de entendimento e compreensão das mesmas. Depois de certo tempo de prática, o jogo começa a fluir commais espontaneidade e naturalidade (PINES JUNIOR e SILVA, 2013). O jogo é um fenômeno constituído de atividades lúdicas que envolvem pessoas e animais, que por sua vez podem, nessas atividades, interagir com objetos e com a natureza. Sendo o jogo o provocador dessa relação entre as pessoas e delas com o meio ambiente, passa a ser uma fonte de conhecimento. O jogo torna-se, então, uma metamorfose que modifica a realidade de forma lúdica, ou, o jogo pelas manifestações lúdicas pode criar novas possibilidades para a vida (BREGOLATO, 2007). Segundo Crepaldi (2012), há quase um consenso entre estudiosos em relação ao termo lúdico: é definido por quem joga ou brinca, ou seja, está diretamente ligado à ação do indivíduo ou grupo de indivíduos que o experimenta. Segundo a autora, com o brinquedo ocorre o mesmo. No entanto, podemos verificar o uso do termo relacionado a um objeto, industrializado ou não, que dê suporte à ação de jogar ou brincar. O jogo torna-se o espaço de experiência para o ser humano produzir cultura, que não é senão a construção de um mundo interior que se comunica com a realidade. Com o poder de criar tudo que deseja ser ou fazer, toma os elementos que quer da realidade, dilui estes elementos com as projeções imaginárias interiores, e então compõe novas combinações para ajustar a realidade que vai habitar – cenário, para Bregolato (2007). Desde os primeiros anos de vida, os jogos e as brincadeiras são nossos mediadores na relação com as coisas do mundo. Do chocalho ao videogame, aprendemos a nos relacionar com o mundo através dos jogos e das brincadeiras.
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