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EDUCA SESC 20 2017 A escola é um lugar de brincar se o professor consegue conciliar os objetivos pedagógicos com os desejos do aluno. Para isso é necessário encontrar o equilíbrio, sempre móvel, entre o cumprimento de suas funções pedagógicas: ensinar conteúdos e habilidades, ensinar a aprender; e psicológicas: contribuir para o desenvolvimento da subjetividade, para a construção do ser humano autônomo e criativo, na moldura do desempenho das funções sociais, preparando-o para o exercício da cidadania e da vida coletiva, incentivando-o a buscar a justiça social com respeito às diferenças, para Horn et al (2014). De acordo com Kishimoto (2015), o jogo apresenta duas funções concomitantes: uma delas é lúdica, pois propicia a diversão, o prazer e até o desprazer quando escolhido voluntariamente; a outra é educativa, já que o jogo ensina qualquer coisa que complete o indivíduo em seu saber, seus conhecimentos e sua apreensão do mundo. Na visão de Haetinger (2013), o jogo na escola precisa ir além dos objetivos cognitivos a serem alcançados. Espera-se que as crianças sejam capazes de: respeitar os limites, desenvolvendo hábitos e atitudes, melhorando o comportamento social e respeitando ao outro; socializar, aprendendo a viver e conviver em sociedade, criando vínculos com os colegas, gerando ambiente de colaboração e cooperação; criar e explorar a criatividade através do jogo, que proporciona o desenvolvimento do pensamento criativo e divergente; interagir, criando uma real interação entre o sujeito e o objeto de aprendizagem, gerando vetores em todos os sentidos; e aprender e pesquisar, aguçando no aprendiz o gosto pela busca, pela iniciativa e pela tomada de decisões. As crianças vivem seu momento. Nas atividades, o que vale é o prazer. A alegria é o desafio do momento. Na perspectiva das crianças, não se joga para ficar mais inteligente. Joga-se porque é divertido, desafiador. Desperta-se assim o espírito lúdico que é a relação do sujeito com uma tarefa, atividade ou pessoa pelo prazer funcional que é ativado. A presença das atividades lúdicas, representadas pelos jogos e brincadeiras, é constante no mundo infantil de todas as culturas, sendo referência primordial para as discussões sobre criança e o seu desenvolvimento. O desenvolvimento ocorre por meio de um processo construtivo. Desenvolvimento e aprendizagem expressam as duas fontes do conhecimento: uma endógena, que é interior a uma pessoa, grupo ou sistema; e outra exógena, que se produz no exterior. No primeiro ponto, o desafio é ser sociável conservando sua identidade e envolvimento. Já no segundo momento, o que interessa é incorporar algo que há de se tornar individual e coletivo, segundo Macedo (2005) Para sistematizar todas as possibilidades práticas culturais, lúdicas e recreativas, é preciso que haja um agente educativo reconhecido neste trabalho como profissional do lazer. Este profissional recebe diversas denominações, entre elas: monitor, recreacionista, recreador, animador, animador sociocultural, agente cultural. METODOLOGIA A metodologia utilizada consiste em dois procedimentos. O primeiro define a abordagem utilizada. Neste trabalho, utilizou-se a abordagem dedutiva, em que, para Mattos, Rossetto Junior e Blecher (2008), se“[...] parte de teorias e leis com princípios universais e previamente aceitos para a elaboração de conclusões sobre fenômenos universais ou particulares [...]”(p. 28). O segundo procedimento é relativo ao tipo de pesquisa adotado, neste caso, a pesquisa indireta, que, de acordo com Mattos et al. (2008), é caracterizada “[...] pela utilização de informações, conhecimentos, e dados já coletados por outras pessoas e demonstrados de diversas formas [...]” (p. 37). Assim, dentro da pesquisa indireta, utilizou-se a revisão bibliográfica, ou de fontes secundárias, abrangendo materiais como livros, artigos, periódicos e demais publicações que tenham relação com a temática abordada no trabalho (MARCONI e LAKATOS, 2010). CONSIDERAÇÕES FINAIS Na experiência lúdica, a criança cultiva a felicidade, vivencia ações orientadas por valores, fraternidade, amizade e respeito, e desenvolve uma cultura crítica, criativa e solidária. É desejável que o educador reconheça a essência da felicidade na educação, gerando uma aprendizagem significativa baseada no ensino por competências. O trabalho com os jogos, no que se refere ao aspecto cognitivo, visa contribuir para que as crianças possam adquirir conhecimento e desenvolver suas habilidades e competências. Conquistar um status de bom jogador exige uma organização que pode ser expressa por ações como mobilizar recursos, coordenar informações, enfrentar problemas e vencê-los, para Macedo (2005). E, neste momento, surgem diversos motivos para que os educadores enfim possam explorar e aplicar de forma lúdica e criativa os jogos em potencial. Valorizar a ludicidade nos processos de aprendizagem significa, entre outras coisas, considerá-la na perspectiva das crianças. Para elas, apenas o que é lúdico faz sentido. É fundamental que os educadores apoiem a manifestação lúdica nas organizações pedagógicas (MACEDO, 2005). REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BREGOLATO, R. A. Cultura Corporal do Jogo. 2ª. ed. São Paulo: Ícone, 2007. CREPALDI, R. Jogos, Brinquedos e Brincadeiras. 1ª. ed. São Paulo: IESDE Brasil versão digital, 2012 p. 11. FRIEDMANN, A. O Desenvolvimento da Criança através do Brincar. São Paulo: Moderna, 2006. HAETINGER, M. G. O Universo Criativo da Criança: a revolução na sala de aula. Rio de Janeiro:Wak, 2013. HORN, C. I.; VIDAL, F. F.; SILVA, J. S.; POTHIN, J.; FORTUNA, T. R.; SANTOS, V. L. B. A Pedagogia do Brincar. Porto Alegre: Mediação, 2014. HUIZINGA, J. Homo ludens: o jogo como elemento da cultura. São Paulo: USP, 1971. KISHIMOTO, T. M. O Jogo e a Educação Infantil. 9ª. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2015. MACEDO, L.; PETTY, A. L. S.; PASSOS, N. C. Os Jogos e o Lúdico na Aprendizagem Escolar. Porto Alegre: Artmed, 2005. MARCONI, M. A.; e LAKATOS, E. M. Fundamentos de metodologia científica (7ª. ed.). São Paulo: Atlas, 2010. MATTOS, M. G.; ROSSETTO JUNIOR, A. J.; e BLECHER, S. Metodologia da Pesquisa em Educação Física: construindo sua monografia, artigos e projetos (3ª. ed.) São Paulo: Phorte, 2008. SILVA, T. A. C.; ARAUJO, C. S. Bora Brincar: um convite à brincadeira. São Paulo: All Print, 2017. ______; PINES JUNIOR, A. R. Jogos e Brincadeiras: ações lúdicas nas escolas, ruas, festas, parques e em família. São Paulo: All Print, 2013. ______; POZZI, M. L. B. Olhares Sobre o Corpo – Educação Física Escolar, volume 01. São Paulo: All Print, 2014. VENÂNCIO, S.; FREIRE, J. B. O Jogo Dentro e Fora da Escola. Campinas: Autores Associados, 2005. TIAGO AQUINO DA COSTA E SILVA (PAÇOCA) Especialista em Educação Física Escolar, atua no Laboratório de Estudos do Lazer (LEL)/ DEF/IB/UNESP, Rio Claro/SP. [pacoca@professorpacoca.com.br ] ALIPIO RODRIGUES PINES JUNIOR Mestre em Ciências da Atividade Física (USP); membro do Grupo Interdisciplinar de Estudos do Lazer (GIEL/USP/CNPq). [alipio.rodrigues@gmail.com]

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