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29 EDUCA SESC 2017 RESUMO O presente artigo pretende discutir a paternidade e sua função no desenvolvimento do sujeito na pré-escola, a partir de um relato de experiência fundamentado em referenciais teóricos que consideram os aspectos psicológicos, culturais e sociais. Tal busca permitiu compreender as expectativas direcionadas à figura paterna que vêm se inserindo de forma ainda tímida ao convívio escolar dos filhos e contribuindo para integração do sujeito na escola. Constatou-se na busca de artigos que há uma carência de estudos sobre o tema em questão. EIXO TEMÁTICO: Educação PALAVRAS CHAVE: paternidade, educação infantil, psicologia escolar, envolvimento paterno. INTRODUÇÃO Para Silva & Piccinni (2007) a paternidade vem assumindo atividades que antes eram consideradas como componentes da maternidade. Na Educaçao Infantil, a psicologia escolar tem a função de acompanhar as relações entre adultos e crianças, aconselhar e orientar as famílias nas suas ansiedades, medos e preocupações. Tudo isso por meio de uma orientação positiva para compreender e auxiliar as famílias na forma como estão educando seus filhos. Diante disso, na Rede Sesc de Educação Infantil, as observações realizadas em cada uma das 19 escolas fomenta meus questionamentos no que diz respeito à tímida presença da figura masculina na educação dos seus filhos, uma figura que é pouco levada em conta e discutida no ambiente escolar. Não há insistência o suficiente na aproximação e discussão, sem contar que muitas teorias apontam somente a importância da maternidade no processo educativo da criança, esquecendo-se de considerar a figura do pai. De acordo com Hennigen (2010), a presença paterna é fundamental, assim, como a materna. O autor pontua que o casal precisa compartilhar, sustentar e desejar a vida da criança em diferentes momentos: na hora do banho, na alimentação, na educação, na recreação. Não se pode sobrecarregar as mães em uma responsabilidade que não é única da mulher. Na escola, a equipe pedagógica divide seus pensamentos e questionamentos com a Psicologia Escolar a respeito de como lidar com as crianças que apresentam comportamentos agressivos, ausência de limites e baixa tolerância à frustração. Por vezes, nos relatos, vem o descontentamento por conta da ausência da mãe na escola, como se fosse de reponsabilidade exclusiva dela estar presente. Na riqueza das conversas individuais me aventuro a questionar: e o pai? O silêncio se instala por alguns segundos e as respostas, na sua maioria, se repetem: “não sei, só liguei para a mãe”. Observa-se nas escolas, como mencionado anteriormente, que ainda há a cultura de delegar somente à mulher as tarefas de cuidar, educar e participar da vida escolar da criança. Vivemos numa sociedade em que há diferentes arranjos familiares, mas ainda nos deparamos com uma representação significativa do patriarcado, que por muito tempo reservou ao homem a função de sustentar financeiramente a família, sem se aproximar do seu filho com afeto. Assim, acreditou-se que a responsabilidade de cuidar e educar uma criança era exclusivamente das mulheres. Para Wagner e Cols. (2005), educar os filhos significa a família ter em mãos uma tarefa complexa que envolve tarefas educativas e domésticas, dando afeto e impondo limites. Isto faz parte da vida do casal. Embora não esteja claro, ainda percebemos a mulher se envolver mais do que o homem no cuidado com as crianças. Nos arranjos familiares, mulheres e homens têm diversos meios de ter, criar e educar seus filhos de forma compartilhada ou independente. Entretanto, iremos aqui nos deter na paternidade e na sua PATERNIDADE E SUA FUNÇÃO NO DESENVOLVIMENTO DO SUJEITO NA PRÉ-ESCOLA POR MICHELE DE ASSIS MÜLLER Educar os filhos significa a família ter em mãos uma tarefa complexa que envolve tarefas educativas e domésticas, dando afeto e impondo limites.

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