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EDUCA SESC 30 2017 função no desenvolvimento do sujeito em idade pré-escolar. ParaWinnicott (1966), quando a figura paterna entra na vida da criança de uma forma ativa, gera alívio à família, por uma questão de parceria entre o casal que compartilha as responsabilidades e o desejo de ter um filho. Ao escutar inúmeras vezes, em diferentes espaços, que o homem é provedor econômico da sua família, por meio de perguntas tenho instigado a reflexão, principalmente nas equipes pedagógicas, a partir das suas próprias falas: “O pai é quem sustenta a família?”, “O homem ‘ajuda’a mulher a cuidar dos filhos?”, “E o pai? Já ligaram para o pai?”O objetivo é refletir com a equipe pedagógica sobre qual tipo de pai estamos nos referindo na escola. Zornig (2010) resgata, na obra de Freud, o momento em que o psicanalista sugere que “o amor parental é um retorno e reprodução do narcisismo dos pais que se colocam no lugar do filho, resgatando seu próprio narcisismo infantil perdido”. A criança ocupa, no psiquismo parental, uma função restauradora das feridas narcísicas de seus próprios pais. Dessa forma, é importante pensar que existe uma concepção de filho, anterior à gestação, que coloca em movimento aspectos do narcisismo de cada um dos envolvidos, assim como suas lembranças, fantasias e suas relações objetais primárias. De acordo com Gutfriend (2010), precisamos compreender que vida nenhuma começa sem história. Para tanto, é fundamental aceitarmos que herdamos crenças e valores da nossa família. Há uma necessidade que não é apenas de ter filho, mas de encontrar oportunidade de estar em dia com a representação dos seus descendentes. Wagner (2011) considera que o cuidado parental é fundamental, o bebê dependente da representação de mãe e de pai para formação do ego, e traz consigo seus desejos e necessidades. Arsénio (2012) assinala que é na família que a criança cresce e se desenvolve, adquirindo valores, crenças e referência cultural. Para Beltrame & Bottoli (2010), não basta ser genitor. Tanto o pai quanto a mãe devem internalizar, tanto em nível consciente quanto inconsciente, seu funcionamento mental. Zornig (2010) sinaliza que são processos psíquicos e mudanças subjetivas produzidas nos pais, a partir do desejo de ter um filho. Bem &Wagner (2006) apontam que uma das tarefas mais complexas que compõem a função parental é a educação dos filhos. Processo educativo este que desenvolve e envolve diferentes membros, dentro do contexto familiar que transborda de expectativas em relação aos valores transmitidos pelas mães e pelos pais aos seus filhos. Por sua vez, Winnicott (1966) afirma que compartilhar detalhes importantes da vida dos filhos, cotidianamente, contribui para aumentar o vínculo na relação do casal. PATERNIDADE No século XIX, no Brasil, o homem compreendia como sua a responsabilidade de ser o provedor financeiro da família. A chegada da mulher no mercado de trabalho, a necessidade de contribuir com o orçamento doméstico, o uso de contraceptivo e o desejo de independência foram mudando as configurações e estruturas das famílias. A sociedade vivenciou mudanças significativas no arranjo familiar que foram rompendo com o modelo tradicional, em que o homem era o provedor financeiro e a mulher a “dona do lar”. Com isso, os novos arranjos exigiram também uma reorganização dos papéis sociais, na forma como cada membro da família desempenhava a sua função. Neste sentido, as mulheres começaram a se posicionar de forma mais independente em relação as suas escolhas, em quererem ser ou não mães. Consequentemente, os homens não tinham mais o poder econômico e não tinham o poder de decidir se seriam pais ou não. Essa mudança fez com que as famílias se reestruturassem (STAUD e WAGNER, 2008). Diante dessas mudanças na configuração e estrutura da família tradicional, a paternidade tem chamado a atenção de psicólogos escolares. Pesquisas, discussões e reflexões têm sido feitas em torno de uma figura paterna participativa e consciente da importância de assumir e compartilhar a responsabilidade de educar e de desejar se relacionar com seus filhos em todas as fases da vida, principalmente, em idade pré-escolar. Saraiva, Reinhardt e Souza (2012) consideram que ser pai não é somente uma função biológica: implica também no simbólico dos sentimentos e atitudes que demonstram o desejo de estar presente na vida do filho, embora muitos pais se posicionem como meramente um suporte e apoio à mãe. Dessen & Oliveira (2013) consideram a participação do pai, como parceiro da mãe ao compartilhar as tarefas educativas e domésticas, como um dos aspectos fundamentais para o equilíbrio familiar. Quando o pai não se faz presente por diferentes questões, este pode ser representado por outra pessoa, que cumpre o papel de pai simbólico. Compartilhar detalhes importantes da vida dos filhos, cotidianamente, contribui para aumentar o vínculo na relação do casal.

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