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31 EDUCA SESC 2017 Na pré-escola, há crianças que têm facilidade em se adaptar a novos ambientes, por já terem vivenciado a separação da mãe ou frequentarem berçários e creches. Essas crianças se desprendem da mãe pelo interesse e curiosidade de conhecer os brinquedos, pracinhas e outras crianças, vinculando-se à professora sem gerar ansiedade e preocupação aos adultos (BÖCK, 1996). No entanto, nem sempre esse período de adaptação é tranquilo. Algumas crianças apresentam choro excessivo ao serem entregues à professora. Essas dificuldades surgem por diversos motivos que podem suscitar ansiedade e preocupação nos pais, equipes pedagógicas e psicólogas escolares. Quando a criança apresenta o choro excessivo ao não querer se separar da mãe, as escolas, cientes de situações como esta são comuns, sugerem a presença de uma terceira pessoa, o pai. Para Böck (1996), a presença do pai é importante, pois a criança não sente a ambivalência que a mãe transmite pelo sentimento de culpa em ter que se separar do seu filho. Segundo a autora, o pai não está envolvido de maneira simbiótica com a criança e, assim, consegue ter consciência intelectual e emocional do quanto é importante a socialização para o desenvolvimento do sujeito. Tal sugestão tem o intuito de promover a participação do pai na solução do problema, envolvendo-o na relação pai e filho. Quando o pai não se faz presente por diferentes questões, este pode ser representado por outra pessoa, que cumpre o papel de pai simbólico. Para Dor (1991), sem passar pela instância de pai imaginário, nenhum pai real poderia ou conseguiria estar no lugar do pai simbólico. Silva & Piccinini (2007) relacionam como pai o sujeito que assume novas tarefas e atos que favoreçam, no desenvolvimento infantil, a sobrevivência, a saúde, o cuidado e a educação da criança. Arilha & cols. (2001) salientam que a paternidade requer transformações efetivas para superar as concepções culturais, ideológicas, institucionais e individuais. Por muito tempo, o homem foi considerado apenas provedor econômico. Sutter, C. & Bucher-Maluschke (2008) consideram paternidade participativa o cuidado e o envolvimento do pai no cotidiano dos filhos, nos domínios da interação social e afetiva. Observa-se que a criança que vivencia a ausência do pai no seu cotidiano escolar e familiar tem mais probabilidade de apresentar comportamentos agressivos, dificuldade de reconhecer limites e de aprender as regras de convívio social (BENCZIK, 2011). Cia & Barham (2009) apontam que a qualidade da relação pai-filho contribui para o bom desenvolvimento social da criança, o que representa um fator de proteção para as crianças que ingressam em atividades escolares. PSICOLOGIA ESCOLAR O início da interação entre Psicologia e Educação foi marcado por uma perspectiva simplificada, em que a profissão de psicólogo escolar significava ser um avaliador de problemas de aprendizagem e atuar na culpabilização do aluno por ter estes problemas. Assim, concretizava-se a existência de normas ou padrões que desencadeavam uma resistência por parte dos estudantes, e indiretamente, dos professores. Nas Referências Técnicas para Atuação de Psicólogas(os) na Educação Básica (2013), titulada pelo Centro de Referências Técnicas em Psicologia e Políticas Públicas (CREPOP) com o apoio do Conselho Federal de Psicologia (CFP) e Conselhos Regionais (CRP), buscou-se construir referências sólidas que apontam e possibilitam a atuação do psicólogo como protagonista social na Educação Básica, rompendo com o paradigma da atuação exclusiva do profissional na resolução de problemas de aprendizagem. O psicólogo escolar, nos dias de hoje, é aquele que observa, escuta, analisa e intervém no cotidiano da escola e nas reuniões, ao perceber que pode estabelecer novas maneiras de olhar para a criança, evitando rótulos, diagnósticos imprecisos e hipóteses únicas (ANDRADA, 2005). Com isso, o psicólogo escolar se envolve em todo segmento do sistema educacional, na construção de instrumentos de reflexão, discussão e intervenção que proporcionem a articulação de ações como a formação continuada de educadores, orientação de pais e rodas de conversas com as famílias. Para Bastos (2009), a escuta é um dos instrumentos fundamentais nas ações do psicólogo escolar para dar atenção à singularidade do sujeito que transita na comunidade escolar: estudante, docente, equipe diretiva e famílias. Segundo as Referências Técnicas para Atuação de Psicólogas(os) na Educação Básica (2013), é fundamental que a escola esteja integralmente envolvida em um trabalho coletivo na busca de alternativas que, por um lado valorizem o professor e, por outro, possibilitem que as famílias sejam escutadas para que contribuam com a escola e a educação. Daí vem a importância da escuta e do olhar sensível da psicologia escolar na diversidade, principalmente na questão da paternidade. Ao convocar e favorecer a presença do pai real e simbólico no cotidiano escolar, contribui para o desenvolvimento do sujeito em idade pré-escolar. Para tanto, é necessário ampliar a nossa cultura educacional, priorizando ações que colaborem com a socialização do conhecimento por meio de intervenções preventivas, trabalhando com os estudantes em grupos de apoio e em parceria com os pais ou responsáveis, professores e equipe pedagógica. Dessa forma será possível articular as principais questões que envolvem Psicologia e Educação, como as singularidades e as relações no ambiente escolar. CONSIDERAÇÕES FINAIS O desafio de pesquisar e escrever sobre um assunto tão relevante me fez entender que o tema O psicólogo escolar se envolve em todo segmento do sistema educacional, na construção de instrumentos de reflexão que proporcionem ações contínuas.
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