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EDUCA SESC 32 2017 ainda carece de mais pesquisas que assinalem a relevância da paternidade e sua função no desenvolvimento do sujeito em idade pré-escolar. Quando o pai não é presente, por qualquer motivo, se tem a possibilidade de substitui-lo por outra pessoa próxima que exerça a função de terceiro: avô, avó, babá, padrasto, madrasta, padrinho e madrinha, com o intuito de impedir uma relação fusional que possa prejudicar o desenvolvimento da criança. Após pesquisa e reflexões sobre a introdução do terceiro na relação díade mãe-filho, compreende-se que é importante a presença do pai no desenvolvimento do sujeito, assim como a da mãe. Nas escolas de Educação Infantil, buscamos envolver o pai no cotidiano escolar do seu filho, na expectativa de romper com o modelo tradicional de pai distante e frio. Não pretendemos buscar um modelo ideal de pai – o objetivo é garantir a presença dele no cotidiano do filho, auxiliando no que for necessário para o desenvolvimento integral do sujeito. A partir dessa ação, temos observado que a presença do pai no ambiente escolar faz a criança se sentir mais segura e feliz ao apresentar a família aos colegas e às educadoras. Considero importantes outras pesquisas, discussões e reflexões sobre a figura paterna devido à condição de pai em processo de transformação cultural, social e familiar. Sugere-se que a Psicologia Escolar, diante das suas vivências dentro das escolas, possa contribuir com estudos e pesquisas sobre a importância da participação efetiva do pai no desenvolvimento e cotidiano da criança no ambiente familiar e escolar. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANDRADA, E.G.C. Novos Paradigmas na Prática do Psicólogo Escolar. Psicologia Reflexão e Crítica, 18(2), 196-199, 2005. ARILHA, M., UNBEHAUM, S.G., MEDRADO, B. Homens e Masculinidade: outras palavras. São Paulo: Ecos Editora, 2001. ARSÉNIO, C.I.F. Paternidade na Infância: Envolvimento Paterno e Estilos Parentais Educativos em Pais de Crianças em Idade Escolar. 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