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39 EDUCA SESC 2017 RESULTADOS E DISCUSSÕES Quando falamos em compreender a complexidade, referimo-nos a identificar o outro (idoso) não como objeto, mas como outro sujeito com o qual me identifico e que se identifica conosco. Assim, se constrói processos de empatia, identificação, simpatia e generosidade (MORIN, p. 82, 1921). Compreender, não condenar. Dessa forma, não se trata apenas da realização de exercícios físicos, mas de uma atividade de mais valor para o idoso. “Aqui no Sesc temos o acolhimento, a educação, a simpatia. Os profissionais acabam fazendo parte dessa família. Por que esse grupo é, sim, uma família. Facilitador, professora, recepção, todos dão esse acolhimento. E o velho gosta de acolhimento. (risos)” (Participante 1) Essa compreensão da complexidade enfatiza a importância de observar a rede de ligações que cerca o idoso e as atividades do seu cotidiano. É por meio delas que o indivíduo vai influenciar positivamente quem o cerca. “Olha, uma coisa que o grupo te ensina, nessa altura da vida, é a ter mais tolerância, aceitar as pessoas como elas são, te aceitar como tu és também. Acho que temmuita tolerância nisso aí.” (Participante 1) “Na verdade, isso (a prática de exercício físico) é uma cultura [...] Eu faço, eu vou influenciando um filho, um sobrinho, um amigo, um neto. As pessoas da minha faixa de idade, nossa aqui da Maturidade, influenciam os mais novos. Isso é cultura.” (Participante 8) Dessa maneira, formular um processo de transformação de pensamento tornou-se vital. Há uma necessidade de [...] aprender a ser, viver, dividir e comunicar como humanos do planeta Terra, não mais somente pertencer a uma cultura [...] Devemo-nos dedicar não só a dominar, mas a condicionar, melhorar, compreender (MORIN, p. 66, 1921). CONSIDERAÇÕES FINAIS É importante refletirmos sobre os exercícios físicos e sobre a complexidade envolvida nesta atividade. A prática pode proporcionar modificações no contexto do idoso e pode transformá-lo em um influenciador, agindo nas pessoas do seu convívio. Além disso, a atividade é comprovadamente benéfica para a saúde física e mental, além de favorecer o ganho de cidadania, a participação social e a autonomia do indivíduo. Cabe aos profissionais de educação física pensar sobre esse emaranhado de ligações e reações em cadeia que uma vida ativa pode trazer aos idosos. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS MORIN, Edgar. Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro, 1921. MORIN, Edgar. A Cabeça Bem-feita, 1921 LUCAS SOUZA SANTOS Bacharel em Educação Física pelo Centro Universitário Cenecista de Osório (UNICNEC) e pós-graduando Lato Sensu em Educação Básica Profissional pelo Instituto Federal de Educação, Ciências eTecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS). É coordenador do Grupo Sesc Maturidade Ativa de Capão da Canoa/RS. [lssantos@sesc-rs.com.br e lucasefi94@gmail.com ] ALINE SILVA DE BONA Licenciada emMatemática, mestre em Ensino de Matemática e doutora em Informática na Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), é também bacharel em Ciências Contábeis pelas Faculdades Porto-Alegrenses (Fapa), com pós- doutorado em Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem pela Universidade de São Paulo (USP). É professora da rede pública de ensino há mais de 15 anos e do Instituto Federal de Educação, Ciências eTecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS). [aline.bona@osorio.ifrs.edu.br ]
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