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31 EDUCA SESC 2018 RESUMO O presente estudo consiste em análise e reflexão sobre a prática da leitura e seu incentivo nas escolas e no ambiente familiar. O objetivo é, portanto, constatar como a leitura é utilizada nesses ambientes e de que maneira pode-se estimular e motivar o aluno. Para a realização da pesquisa, foram utilizados instrumentos como entrevistas semiestruturadas e observação direta no âmbito escolar. As informações coletadas foram examinadas a partir da técnica de análise de conteúdo proposta por Bardin (1977). Em síntese, a pesquisa mostra que os professores, juntamente com a família, devem proporcionar à criança frequentes e diversificados momentos de leitura. Devem motivar e incentivar o hábito e o gosto pela leitura desde cedo, para que se perpetue por toda a vida. EIXO TEMÁTICO: educação. PALAVRAS-CHAVE: leitura, motivação, hábito. INTRODUÇÃO O trabalho a seguir analisa a importância da leitura como canal de informação e, principalmente, de formação do educando. Mas como despertar no aluno o gosto pela leitura? Essa tarefa nem sempre é fácil. Nosso papel como educadores é mostrar caminhos e estimular, motivar e administrar a curiosidade, tanto a nossa, como a de nossos alunos, promovendo a formação de leitores que sonham, acreditam e realizam mudanças para a construção de um mundo melhor. REFERENCIAL TEÓRICO – O ATO DE LER Ler nos permite conhecer, viver, experenciar, experimentar e aprender sobre diversos assuntos, reais ou fictícios. O ato da leitura propõe uma viagem do imaginário a lugares extraordinários, irreais, que se tornam verossímeis à medida em que o leitor arrisca-se nessa aventura. O ato de ler possibilita o aprendizado a partir de interpretações do mundo real, porém, de uma forma mais aprazível do que somente pela relação direta professor-aluno. A leitura é uma atividade permanente da condição humana, uma habilidade a ser adquirida desde a infância e que continua em processo de construção para o resto da vida. O grande desafio da escola é incentivar a leitura, despertando nas crianças o gosto e o desejo de ler. O desafio é formar praticantes da leitura e da escrita e não apenas sujeitos que possam‘decifrar’o sistema de escrita. É – já o disse – formar leitores que saberão escolher o material escrito adequado para buscar a solução de problemas que devem enfrentar e não alunos capazes apenas de oralizar um texto selecionado por outro (LERNER, 2002, p.27). Fonte primordial de educação, a leitura é a maior herança legada da escola aos alunos. De acordo com Chartier (1999, p.23), “restringir a leitura nas atividades escolares, ao mundo e cultura da criança, é uma forma de negar aquisição de novos conhecimentos”. As escolas, até certo ponto, abandonaram o hábito de leitura, tanto silenciosa quanto em voz alta, nas salas de aula. O incentivo à leitura, consequentemente, diminuiu. A concorrência com atividades mais dinâmicas, motivada pela magia dos computadores, da internet e de outras ferramentas tecnológicas, é real. Se essas ferramentas não forem bem trabalhadas, induzem ao desinteresse pela leitura, pois é mais cômodo e divertido visualmente ver o filme do que ler uma obra escrita. Para transformar alunos em bons leitores, desenvolvendo mais do que a capacidade de ler, mas o prazer da leitura, é necessário que a escola se mobilize internamente para rever as condições, muitas vezes restritas, que oferece aos seus alunos. Sendo assim, cabe à escola adotar métodos construtivistas e práticas que despertem o interesse dos estudantes, de forma democrática, independentemente de idade e classe social. Ler nos permite conhecer, viver, experenciar, experimentar e aprender sobre diversos assuntos, reais ou fictícios. É prioridade da escola proporcionar aos alunos os aprendizados da leitura e da escrita, valorizando- os igualmente, pois ambos estão interligados. Logo, devem ser oportunizadas todas as formas e condições para que a criança tenha um contato positivo com o livro, colocando a sua disposição materiais de leitura variados. Sabemos que a leitura assume um papel fundamental na aprendizagem de todos os conteúdos escolares e que o sucesso depende do domínio dessa habilidade. Porém, a escola, com algumas exceções, continua reproduzindo um modelo de leitura tradicional, com fins didáticos, em que o predomínio da razão supera a magia, o encanto e o prazer de ler. Segundo Lajolo (2002), lemos para entender o mundo e para melhor vivermos nele, apreendendo dos autores suas percepções sobre o mundo e sobre a vida. Em seu livro Do Mundo da Leitura para a Leitura do Mundo (2002), a autora analisa depoimentos de professores sobre a leitura de seus alunos. Segundo os relatos, os alunos, por não terem o hábito da leitura, só leem quando obrigados, outros não leem nem obrigados e, ainda, a maioria prefere assistir TV. A leitura, portanto, não deve ser vista como uma obrigação, dever ou tarefa cumprida, e sim como fonte de aprendizado em que o aluno possa construir seus conhecimentos, além de deleitar-se, descobrir- se, encantar-se. Torna-se fundamental repensar o ensino e buscar uma nova dinâmica de leitura, voltada para suas mais diversas interfaces e não apenas para a busca de informação. Dessa maneira, é possível despertar no aluno o prazer de ler, base fundamental da atividade. A escola deve abrir as portas para o novo, valorizando as diversas formas de cultura, retirando o aluno do isolamento de textos repetitivos e dando a ele a possibilidade de selecionar suas leituras de acordo com seu próprio gosto e necessidade. Dessa forma, ele poderá expressar-se melhor e posicionar-se como cidadão. É fundamental que a leitura se constitua como uma prática social de diferentes funções, pela qual o educando percebe que precisa ler não apenas para aprender e compreender informações, mas também para se comunicar, interagir, socializar, ampliar os horizontes e conhecimentos. Toda criança que lê e tem acesso a livros tem maior facilidade em aprender e conhecer o mundo.

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