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33 EDUCA SESC 2018 imaginário e com a arte da palavra, são condições que reforçarão o estabelecimento do hábito de ler por prazer e por entretenimento, seja em casa ou na escola. METODOLOGIA O presente estudo resulta de uma pesquisa qualitativa com caráter descritivo, produzida a partir de leituras de livros, artigos, notícias e sites sobre o tema leitura. Como foco de pesquisa, foram observados professores, alunos, situações e acontecimentos referentes à prática de leitura na sala de aula. A abordagem é de cunho etnográfico, com os participantes sendo observados no seu ambiente natural. Segundo Bodgan; Biklen (1994, p. 14), “o interesse do pesquisador ao estudar um determinado problema é verificar como ele se manifesta nas atividades, nos procedimentos e nas interações cotidianas”. Procurou-se, portanto, fazer observação direta e entrevistas abertas e fechadas na realidade escolar, considerando os diferentes pontos de vista dos participantes e suas atuações nas práticas dentro da sala de aula, para posterior análise e interpretação dos fenômenos estudados. Os dados da pesquisa foram tratados pela técnica de análise de conteúdo de Bardin (1977), com algumas adaptações. CONSIDERAÇÕES FINAIS A pesquisa procurou responder: como despertar o gosto pela leitura e o hábito nos alunos? Desde logo, acreditava que essa não é uma tarefa simples e fácil de conquistar. Portanto, tive como objetivo principal analisar e refletir sobre a prática de leitura nos contextos escolar e familiar. A leitura contribui para a aprendizagem do mundo real, oportunizando uma bagagem de conhecimentos amplos e propondo que o leitor encontre nos livros a resposta para muitas de suas perguntas, inquietações e curiosidades. Além disso, possibilita viajar, transportar-se para um mundo imaginário e vivenciar as mais diversas aventuras e fantasias. Por meio da leitura, formam-se também valores considerados necessários nos dias atuais. A criança identifica as atitudes e personalidades dos personagens, podendo avaliar e refletir sobre as ações contadas no decorrer da história. Assim, quando a leitura é bem explorada e conduzida pelo educador, o leitor terá desenvolvido sua criticidade, expondo suas opiniões e pontos de vista, além A criança identifica as atitudes e personalidades dos personagens, podendo avaliar e refletir sobre as ações contadas no decorrer da história. de criar conceitos de certo e errado, de atitudes que valem a pena (ou não), contribuindo, dessa maneira, para a formação de um cidadão crítico, consciente de suas atitudes e ações na sociedade em que está inserido. Portanto, se o professor e a família acreditarem que, mais do que informar, a leitura tem importante papel na formação da criança e do adolescente, além de oportunizar momentos prazerosos, estes terão mais chances de desenvolver o hábito e o gosto de ler para a vida toda. Quanto mais numerosos forem os estímulos oferecidos aos alunos, com vários e diferentes tipos de leitura, maior será o seu envolvimento e encanto. Diante disso, posso concluir que não há uma fórmula que faça o aluno gostar de ler e criar um hábito permanente da leitura. O que existe são recursos, maneiras, métodos que podem ser criados e executados para estimular o aluno a desenvolver esse hábito, de forma prazerosa. Isso depende da boa vontade do adulto, da família e dos educadores em criar oportunidades de diferentes experiências, motivando a criança a querer ler continuamente. Sabe-se, entretanto, que muitos fatores diminuem significativamente o prazer pela leitura: trabalhar sempre o mesmo tipo de texto, propor leituras apenas com interesse didático ou solicitar leituras somente para responder perguntas de interpretação são alguns desses fatores. Dessa forma, despertar o gosto pela leitura e cultivar o hábito nos alunos não é algo que se consegue da noite para o dia. É um processo contínuo e permanente, que deve iniciar na infância e ter continuidade durante os anos escolares. Isso exige que escola e família acreditem no valor da leitura para além de informar, mas para formar leitores com hábitos, atitudes, valores e opiniões. Logo, cidadãos com vontade de mudar o mundo e contribuir para o seu progresso. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BAMBERGER, Richard. Como Incentivar o Hábito da Leitura. 7ª ed. São Paulo: Ática, 2000. BOGDAN, Robert; BIKLEN Sari. Investigação Qualitativa em Educação: uma introdução à teoria e aos métodos. Porto Alegre: Porto Ed., 1994. CHARTIER, Roger. A Aventura do Livro: do leitor ao navegador. São Paulo: Unesp, 1999. LAJOLO, Marisa. Do Mundo da Leitura para a Leitura do Mundo. 6ª ed. São Paulo: Ática, 2002. LERNER, Delia. Ler e Escrever na Escola: o real, o possível e o necessário. Porto Alegre: Artmed, 2002. SILVA, Ezequiel Theodoro da. De Olhos Abertos: reflexões sobre o desenvolvimento da leitura no Brasil. São Paulo: Ática, 1991. DAIANE PUJOL GARCIA CAVASSA, professora e orientadora pedagógica na rede privada e pública de Uruguaiana/RS. Pedagoga pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), especialista em Psicopedagogia Clínica e Institucional pela UNINTER e especialista em Educação Especial e Inclusiva pela FAEL. [daiane.pujol@hotmail.com ] [www.facebook.com.br/leitoresnapraça]
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