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EDUCA SESC 34 2018 POR RÚBIAN CÂNDIDA GLIENKE EIXO TEMÁTICO: educação. PALAVRAS-CHAVE: educação Infantil, pesquisa, estudos simultâneos, protagonismo infantil. As vivências com as crianças da Escola de Educação Infantil Sesquinho de Ijuí/RS se desenvolvem a partir dos interesses e das curiosidades apresentadas por elas próprias, o que proporciona muitas explorações e trocas. Quero compartilhar um pouco dessa experiência vivida em minha turma, contando o que foi estudado pelas crianças, que têm entre cinco e seis anos. Nossas experiências iniciam quando observo que algumas crianças da turma vinham demonstrando interesse por assuntos específicos. Quando, em suas falas e brincadeiras, trocam informações e realizam suas próprias pesquisas. Como afirma a nossa proposta pedagógica: Por meio do posicionamento da escola e da observação, mediação e intervenção cuidadosa do professor, tem-se condições para criar espaços de convívio em que as crianças possam – desde pequenas – ser parte ativa da vida coletiva, e ter sua opinião e voz como elementos fundamentais para construir modos de vida satisfatórios para todos. (SESC, p.18) Assim fui percebendo que se formavam grupos que se aproximavam na busca de mais informações. E isso estava acontecendo na turma envolvendo simultaneamente, até aquele momento, três assuntos para estudo. Pensando em dar ênfase aos interesses específicos, mas procurando envolver todas as crianças da turma, iniciei a proposta com uma sessão, para a qual dispus imagens, livros e objetos relacionados aos assuntos presentes nas conversas entre as crianças. Esses temas já haviam sido registrados em nossos painéis informativos ou foram percebidos nas brincadeiras e explorações. Livremente, elas puderam circular e explorar o que estava disposto. Com ajuda de outra educadora, anotávamos falas e registrávamos o momento. Percebemos que assim cada criança se aproximou do assunto pelo qual mais se interessava, tornando-se protagonista de suas escolhas. Além disso, ressalto a importância da escuta dos educadores nesse momento, como afirma Mello (2017, p.58): A escuta é uma atitude receptiva que pressupõe uma mentalidade aberta, uma disponibilidade de interpretar as atitudes e as mensagens lançadas pelos outros e, ao mesmo tempo, a capacidade de recolhê-los e legitimá-los. Penso que esse movimento foi fundamental para aproximar cada criança do que mais lhe interessava estudar. Barbosa (2008, p.62) afirma que: Após a investigação, são necessários momentos coletivos, nos quais a constelação de elementos trabalhados ao longo do projeto são reinventados, passando de matéria-prima para uma reconstituição narrativa da experiência. Essa constituição de narrativa se dá quando, num segundo momento, nos reunimos em pequenos grupos, que chamo de “grupos de interesse”, e conversamos sobre as hipóteses e afirmações que traziam sobre os assuntos. Isso motivou as crianças a realizarem pesquisas com as famílias e houve momentos em que elas mediaram as conversas, compartilhando aquilo que pesquisaram. Conforme surgiam as curiosidades e as novas informações, fomos inserindo o material nos painéis informativos, nos quais tínhamos imagens, desenhos, anotações e recortes (reportagens, propagandas). Quando refletimos sobre documentação pedagógica, percebemos que os suportes (murais, expositores, prateleiras, dossiês...) existentes na escola também são importantes. Às vezes, os grandes painéis de madeira da escola se transformam em lousas em que, à medida que o projeto ou a experiência cresce, vamos anotando os fatos que vão acontecendo. Isso nos ajuda a tornar visível esta primeira síntese, envolvendo também crianças e famílias que vão enriquecendo a experiência ao longo do processo. (MELLO, 2017, p.35) Não havia dia marcado para conversarmos sobre cada assunto. Porém, fazia parte do planejamento abordar algumas informações relacionadas a um dos estudos em andamento. Como as crianças também traziam materiais, algumas vezes só era preciso organizá- los nos painéis. À medida que novas informações surgiam, era momento de reunir os grupos de interesse para retomar o que já havia sido pesquisado e inserir a nova informação no painel. Fazia parte da rotina da turma algumas crianças se reunirem ou até mesmo se deslocarem a outro espaço para estudar o assunto específico, enquanto as demais realizavam atividade distinta com a outra professora. No decorrer dos estudos surgirammais dois assuntos. Então tínhamos cinco assuntos sendo abordados simultaneamente na turma. Havia as crianças que estavam sempre presentes nos grupos de interesse de cada assunto, havia as que circulavam, havia as que participavam de uma ou outra pesquisa. E havia ainda crianças de outra turma que participavam de alguns grupos. O bacana de observar é que, apesar DA EXPERIÊNCIA DE VIVENCIAR ESTUDOS SIMULTÂNEOS NA EDUCAÇÃO INFANTIL

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