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EDUCA SESC 36 2018 POR CÁTIA REGINA RAMOS DA SILVA RESUMO O objetivo principal desse trabalho é demonstrar que a utilização do tablet com crianças diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) favorece o desenvolvimento dos precursores de linguagem, viabilizando o desenvolvimento das habilidades indispensáveis ao processo de alfabetização, tendo em vista que a maioria das crianças com autismo demonstra prejuízo no uso sustentado do olhar, na atenção conjunta e compartilhada, no uso do apontar, nas habilidades sociais, entre outros. Os estudos fundamentaram-se na pesquisa bibliográfica de Lévy (1994); Grandin (2017); Vygotsky (1993); Schmidt (2013); Orrú (2012) e Serra (2018). A aplicação prática ocorreu com a participação de duas crianças com autismo, de quatro e seis anos de idade, estudantes de um Centro Integrado de Educação Pública (CIEP) localizado em Acari – bairro que possui um dos menores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do município do Rio de Janeiro. Os estudos levaram também à reflexão sobre a importância do uso da tecnologia, sobretudo do tablet, no desenvolvimento cognitivo, social e comportamental de pessoas com autismo, destacando o valor da ludicidade no processo de aprendizagem e a necessidade da inclusão digital de pessoas com deficiências nas comunidades mais carentes. EIXO TEMÁTICO: educação. Palavras-chave: autismo, tecnologia, inclusão. INTRODUÇÃO Esse artigo visa fornecer elementos para a reflexão sobre a prática da inclusão, especialmente de pessoas com autismo, a partir do uso do tablet, ferramenta tecnológica que costuma despertar interesse entre crianças, jovens e adultos, e que facilita o processo de aprendizagem. Dentro dessa abordagem, o artigo tem como objetivo ainda demonstrar a importância da inclusão digital nas comunidades em situação de vulnerabilidade. O interesse pela temática surgiu a partir de um curso oferecido pela equipe do Instituto Helena Antipoff (IHA) , no qual tive contato, pela primeira vez, com a possibilidade do uso do tablet com crianças com autismo. O curso teve como embasamento teórico-metodológico os estudos de Temple Grandin, que entre outros títulos é PhD. em Zootecnia e professora de Ciências. Temple tem TEA e isso despertou ainda mais meu interesse pelo assunto, pois os conhecimentos compartilhados não ficavam só no campo da pesquisa teórica, mas tinham origem na prática e eram formulados por uma estudiosa com propriedade de causa para tratar do assunto. Temple destaca a importância do uso do tablet para a melhoria do olhar sustentado. Os tablets têm uma enorme vantagem sobre os computadores comuns, e até mesmo os notebooks: não é preciso tirar os olhos da tela. Em geral, digitar é um processo de dois passos. Primeiro olha-se para o teclado; depois para a tela para ver o que foi digitado. Isso pode ser demais para alguém com problemas cognitivos agudos (...) Nos tablets, porém, o teclado é parte da tela, então os movimentos oculares do teclado para as letras digitados são mínimos. (GRANDIN, 2017, p.86) PRÁTICAS DOCENTES: O USO DO TABLET COM CRIANÇAS AUTISTAS
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