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39 EDUCA SESC 2018 PRÁTICAS DE EDUCAÇÃO E CIDADANIA: A PARTICIPAÇÃO DA FAMÍLIA NO CONTEXTO DE UM PROJETO SOCIAL POR GISLAINE CRISTINA PEREIRA, SÍLVIA ZUFFO E ELIANA PEREZ GONÇALVES DE MOURA individualmente, mas no âmbito coletivo (ARIÉS, 1981; PERONDI, 2013). Assim, partindo-se da concepção que, conforme Medeiros (2012), os projetos educativos configuram-se na implicação mútua entre família, juventude e práticas de cidadania, o presente trabalho busca refletir sobre a participação ativa da família na construção da cidadania em jovens do Projeto Pescar. PROJETO PESCAR O Projeto Pescar atua há 40 anos diretamente com jovens de 16 a 19 anos, em situação de vulnerabilidade social. Presente em diversos estados brasileiros, bem como na Argentina, no Peru, no Paraguai e em Angola, na África, busca a EIXO TEMÁTICO: educação. PALAVRAS-CHAVE: projeto social, cidadania, inclusão, família. INTRODUÇÃO Este trabalho considera a educação como ferramenta de promoção social e de formação humana, a partir do desenvolvimento do senso de cidadania, tendo por base o respeito pelas pessoas e pelos contextos socioculturais que se desenvolvem na convivência familiar. Os projetos educativos se configuram na implicação mútua entre juventude, comunidade e família, considerando esta última como espaço privilegiado de socialização e de promoção da prática da cidadania. O objetivo da pesquisa é refletir sobre a contribuição da participação ativa da família na construção da cidadania em jovens participantes do Projeto Pescar. EDUCAÇÃO, FAMÍLIA E JUVENTUDE NO ÂMBITO DO PROJETO PESCAR A educação se efetiva como ferramenta de promoção social e de formação humana a partir do desenvolvimento, nos sujeitos, do senso de cidadania. A base disso é o respeito pelas pessoas e pelos contextos socioculturais, juntamente com a ampliação das condições de liberdade de escolha frente a sua realidade (FREIRE, 1996). Para Freire, a educação deve colaborar para o desenvolvimento da autonomia do sujeito, estimulando espaços democráticos de participação. Sendo a família a rede primária na qual se estabelecem os primeiros vínculos e aprendizagens do sujeito, ela é reconhecida como espaço privilegiado de socialização e de promoção da prática da cidadania (FERRARI e KALOUSTIAN, 2002) – o que corrobora com a ideia de que a juventude não deve ser analisada inclusão social do jovem no mercado de trabalho. O processo de formação tem base na metodologia definida pela Fundação Projeto Pescar, com 60% da carga horária investida em Desenvolvimento Pessoal e Cidadania e 40% voltados para a Iniciação Profissional do jovem. A missão do Projeto Pescar é promover espaços de desenvolvimento pessoal e qualificação profissional do jovem, na busca por sua inserção social e minimização das vulnerabilidades vivenciadas (FPP, 2015). JUVENTUDES É necessário esclarecer a definição de jovem sobre a qual trata o presente estudo, tendo em vista a multiplicidade de juventudes encontrada no contexto social, cada uma carregando seu estilo, sua história, sua cultura, suas representações e anseios. No entanto, é nítida a falta de consenso acerca do período de desenvolvimento que a juventude contempla. A Comissão Econômica para América Latina e o Caribe (Cepal) defende que é “tarea compleja, tanto para el mundo acadêmico como para los gobiernos, delimitar una categoria de juventud que permita estabelecer cuales son los limites de esta etapa de la vida y como visibilizar sus particularidades sociohistoricas y necessidades”(2007, p.290). O que remete à multiplicidade de caracterizações da própria fase, demonstrando o quanto essa questão é complexa, diversa e digna de atenção. Para a Organização das Nações Unidas (ONU), a juventude é o período entre os 15 e os 24 anos. Já o Estatuto da Juventude, aprovado em 2013 no Brasil, afirma que essa fase vai dos 15 aos 29 anos. Há países que consideram que a juventude vai até os 35 anos. Flores (2016) enfatiza que, para além de questões biológicas, devem ser consideradas questões sociais e contingenciais que delimitam esse período. Os projetos educativos configuram-se na implicação mútua entre família, juventude e práticas de cidadania.

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