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EDUCA SESC 40 2018 Importa lembrar o cenário em que os jovens estão inseridos: uma sociedade em constante transformação, de múltiplas exigências, caracterizada por crises em diversas instâncias (BOCAYUVA e VEIGA, 1999). Nesse emaranhado global mutante e plural, a juventude tenta se adequar a sua realidade, criando seu próprio estilo de interagir com o meio. Ao mesmo tempo, reitera-se o que defende Mário Simão (do Observatório de Favelas do Rio de Janeiro) quando defende que essa mesma juventude “carrega as marcas e os valores de uma sociedade” (2014, p.04). Ou seja, é compreendida como uma construção sociocultural, tendo por pilares uma gama de saberes e poderes, capazes de lhe sustentar enquanto categoria social (ABRAMO e BRANCO, 2008). Nesse sentido, a própria família também é reflexo dessa construção, sendo um espaço valioso para a formação humana do jovem. FAMÍLIA Na atualidade, segundo Oliveira (2009), a compreensão do termo família é foco de diversos modelos conceituais e explicativos. Corroborando com essa concepção, defende- se que “ela se manifesta como um conjunto de trajetórias individuais que se expressam em arranjos diversificados e em espaços e organizações domiciliares peculiares”(FERRARI e KALOUSTIAN, 2002, p.14). Nesse sentido, para fins dessa pesquisa, entende-se a impossibilidade de definição de um modelo único ou ideal de família, partindo do entendimento de que ela não representa apenas o somatório descritivo de comportamentos, anseios e demandas, mas acima de tudo representa um processo de interação da vida e da trajetória dos sujeitos que a compõe. METODOLOGIA Trata-se de uma pesquisa descritiva, de abordagem qualitativa, que consiste na análise de uma atividade realizada na Unidade do Projeto Pescar da Sulgás (Companhia de Gás do Estado do Rio Grande do Sul), em Canoas/RS. Tomando como base o “Encontro com a Família”, ação prevista na metodologia do projeto, utilizou-se o método de Observação Participante. Os dados foram avaliados por meio da Análise de Conteúdo, tendo como foco uma de suas técnicas, denominada Análise Temática (BARDIN, 1979). Assim, as respostas foram organizadas em eixos temáticos, vinculados aos objetivos da pesquisa. RESULTADOS E DISCUSSÃO Houve relatos vinculando o conhecimento adquirido através de vivências, palestras e cursos aos momentos de encontro familiar e nos grupos comunitários, como mostram as falas a seguir: “O que o meu filho aprende aqui durante o dia, ele nos ensina à noite. Depois que ele entrou para o Pescar, a novela cedeu lugar para conversas em família [...] e são momentos maravilhosos.” (Família 1) “Nos encontros da igreja, ele (meu filho), que antes não nos acompanhava, agora sempre tem assunto para contribuir. Quando os amigos perguntam de onde ele tirou as informações, ele, orgulhoso, fala: do Projeto.”(Família 10) Os relatos representam momentos em que a participação ativa na família promove multiplicação do saber, tornando-o valor agregado, potencializando a construção da cidadania em todos, principalmente nos jovens. Destaca-se, aqui, a presença e a valorização do diálogo como via de comunicação na família, que se amplia para a comunidade, revelando O que o meu filho aprende aqui durante o dia, ele nos ensina à noite.

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