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41 EDUCA SESC 2018 a comunicação como promotora de uma melhor convivência entre os familiares e as demais pessoas (WAGNER, RIBEIRO, ARTECHE e BORNHOLDI, 1999). A importância da comunicação também é percebida em outros momentos, que também demonstraram a percepção dos jovens sobre o envolvimento da família no processo educativo, como os que seguem: “Minha avó e minha mãe não sossegam até eu dividir com elas o que vivenciamos aqui. Às vezes acabamos indo dormir bem mais tarde discutindo os mesmos assuntos que vimos em grupo durante a tarde.”(Jovem 08) “Eu costumava jantar sozinho no quarto, ou nem jantar e ficar com os amigos na esquina. Mas a rotina agora é comer na cozinha com toda a família e ver a opinião de cada um sobre os assuntos que estudamos no Projeto. Vejo que minha mãe sabe mais do que eu imaginava.”(Jovem 18) No transcorrer do tempo, as famílias acabam se interessando mais pela rotina dos jovens no Projeto Pescar. Ao questionarem os participantes do projeto, acabam também refletindo sobre as temáticas e fortalecendo o debate, o protagonismo e o desenvolvimento da cidadania. Esse fato é relevante porque a família exerce um papel importante na vida dos indivíduos (OSÓRIO, 1996), é a base no processo de constituição dos sujeitos e contribui significativamente com a formação da personalidade e do comportamento individual por meio de atitudes, concepções e medidas educativas realizadas no âmbito familiar (DRUMMOND e DRUMMOND FILHO, 1998). Durante os relatos em grupo, também foi possível verificar as práticas voltadas para a cidadania desenvolvidas em decorrência da relação do jovem e de sua família com o Projeto Pescar, como mostram as seguintes falas: “Aprendi no Projeto a importância do trabalho voluntário. Mas o melhor foi quando convenci minha tia e minha avó a colocarem em prática tudo o que falei. Faz dois meses que estamos indo no asilo perto de casa. Lá elas ensinam a bordar, conversam e pintam as unhas das idosas e eu danço e toco violão.”(Jovem 03) “Lá em casa aderimos à coleta seletiva de lixo depois que levei os papéis que explicavam como fazer a seleção dos materiais. Agora um fiscaliza o outro e meu pai até já deu explicação para meu avô fazer também.”(Jovem 12) Nesse aspecto, é retomada a função social da família que, de acordo com Osório (1996), tem como função principal a transmissão da cultura vivenciada para os indivíduos, juntamente com a preparação destes para o exercício da cidadania na sociedade (AMAZONAS et al, 2003). Esse cenário é de extrema importância, pois, de acordo com Romanelli (1997), é justamente a partir do processo socializador que o sujeito desenvolve o reconhecimento de sua identidade e subjetividade. Conforme Drummond e Drummond Filho (1998) e Tallón et al (1999), sendo a família o centro da formação de valores, normas, crenças e padrões de comportamento, esta torna-se a via principal também de uma cultura cidadã na atuação junto à sociedade. Assim, tendo em vista que os valores, crenças e normas apreendidas no convívio familiar permanecem com o sujeito por toda sua trajetória, as vivências promovidas pelo Projeto Pescar podem atuar positivamente na personalidade, na tomada de decisões e no comportamento social. CONSIDERAÇÕES FINAIS Entende-se, assim, que o conhecimento, as trocas, discussões e reflexões realizadas com os jovens, o educador e as famílias no momento do Encontro com a Família refletem a importância dessa última no processo de construção cidadã. A análise da atividade destacou que os efeitos das vivências educacionais se tornammuito mais efetivos quando fortalecidos pelo núcleo familiar. Assim, a presente pesquisa aponta para a grande contribuição da família na construção da cidadania, por meio da participação ativa na rotina do jovem inserido na educação não escolar. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABRAMO, HelenaW.; BRANCO, Pedro M. (Org.) Retratos da Juventude Brasileira: análises de uma pesquisa nacional. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo, 2008. BOCAYUVA, Pedro; VEIGA, Sandra M. Afinal, que país é este? Recife: Editora Sepe, 1999. CEPAL (Comisión Económica para América Latina y el Caribe). La Juventude em Iberoamérica: Tendencias y urgências. Buenos Aires, agosto de 2007. DRUMMOND, M. & DRUMMOND FILHO, H. Drogas: a busca de respostas. São Paulo: Loyola, 1998. FERRARI, M; KALOUSTIAN, S. Introdução. In: KALOUSTIAN, S. (Org). Família Brasileira: a base de tudo. São Paulo: Cortez; 2002. p.11-15. FLORES, Helen. A pesquisa e as redes de colaboração sobre juventudes nos programas de pós graduação de educação na região sul do Brasil. Disponível em <https://www.lume.ufrgs . br/bitstream/handle/10183/139113/000990118. pdf?sequence=1> Acesso em 18/06/2016 FREIRE, Paulo. Pedagogia da Esperança: um reencontro com a pedagogia do oprimido. São Paulo: Paz e Terra, 2011. ______. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 13ª ed. Rio de Janeiro: Paz eTerra, 1996. FUNDAÇÃOPROJETOPESCAR (FPP). Relatóriode Atividades. PortoAlegre: FundaçãoProjetoPescar, 2015. MEDEIROS, Mariel de Souza Azevedo. Fatores que ocasionam as dificuldades de aprendizagem no processo de alfabetização: uma revisão bibliográfica. Monografia –TCC Psicopedagogia Institucional – AVM Faculdades Integradas, 2012. Disponível em https://www.avm.edu.br/docpdf/monografias_ publicadas/posdistancia/50645.pdf. Acessado em 10 de agosto de 2017. OLIVEIRA, Nayara. Recomeçar: família, filhos e desafios [online]. São Paulo: Editora Unesp, 2009. OSÓRIO, Luiz Carlos. Família Hoje. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996. WAGNER, A., RIBEIRO, L., ARTECHE, A. & BORNHOLDI, E. Configuração familiar e o bem-estar psicológico dos adolescentes. Psicologia: reflexão e crítica, 12(1), 1999, p.147-156. GISLAINE CRISTINA PEREIRA Psicóloga, mestra em Psicologia, doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Diversidade Cultural e Inclusão Social da Feevale, Novo Hamburgo/RS. [psigislaine@gmail.com ] SÍLVIA ZUFFO Administradora, mestra em Diversidade Cultural e Inclusão Social pela Feevale, Novo Hamburgo/RS. [silviazuffo@feevale.br ] ELIANA PEREZ GONÇALVES DE MOURA Psicóloga, doutora em Educação e professora do Programa de Pós-Graduação em Diversidade Cultural e Inclusão Social da Feevale, Novo Hamburgo/RS. [elianapgm@feevale.br ]

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