educaSesc#3

EDUCA SESC 22 2019 a produção de vídeo estudantil como prática pedagógica da educação audiovisual como fortalecimento do uso das tecnologias e mídias móveis na infância, em tempos de cultura digital. Como resultados, entende-se que a prática pedagógica que produz vídeo estudantil na educação infantil potencializa o exercício diário da escuta sensível e do olhar atento, amplamente eficazes neste processo. Uma vez que as crianças, ao desenvolverem seu potencial criativo, também exploram os diferentes papéis: como autores, criaram colaborativamente uma história intitulada Os Patrulheiros do Bem; como roteiristas, organizaram, promoveram ensaios e confeccionaram materiais/figurinos para a gravação do vídeo estudantil; como atores, encenaram e narraram sua própria história; como crianças, divertiram-se em cada etapa do Projeto ABC Diário da SUSTENTABILIDADE. Portanto, no uso de tecnologias na educação infantil, em especial na produção de vídeo estudantil, considera-se que é relevante: experimentar, brincar e, acima de tudo, criar um ambiente de empoderamento colaborativo, dialógico, criativo e educativo. REFERENCIAL TEÓRICO Educação Infantil Considerando a escolha metodológica e o planejamento na educação infantil numa perspectiva que incentive o uso saudável e consciente da tecnologia móvel para a educação, Ribeiro (2017, Ana Necchi – Portfólio de Aprendizagem PEAD – UFRGS) nos traz a seguinte reflexão que: Planejar uma aula para crianças de 4 e 5 anos com a proposta da criação autoral de uma história coletiva é uma ação plural, envolve não só a preparação dos recursos e materiais didáticos a serem explorados, mas, principalmente, a organização de um espaço de tempo mais ampliado e que envolva o diálogo, a escuta e a comunicação entre todos. Não é lá uma proposta muito simples, na prática, mas dá certo e é muito importante para as crianças da educação infantil aprenderem a respeitar a opinião dos outros e também a expor suas ideias ao grupo. Compreender a importância de ofertar um processo de autoria colaborativa, nos é posto a pensar nas pesquisas realizadas por Boll (2013, p. 75), em que a [...] autoria refere-se a uma posição de enunciação provisória e transitória, o convite formulado pelos jovens em suas paródias emTrabalhos Escolares nos inspira a instaurar os infinitos sentidos dos atratores e as vozes que os compõem. A individualidade não diz respeito ao indivíduo, mas à voz que habita o indivíduo, à cada uma das múltiplas vozes que o habitam, por isso a multividualidade. Parece ser exatamente nessa aproximação entre atratores e paródias que se encontra hoje uma típica enunciação estética digital juvenil, entre as múltiplas e infindáveis vozes que habitam nessa época. Compreendendo a predisposição humana em experienciar e aprender com as experiências que lhe são significativas, Bondía (2002, p.19-20), nos pondera que: O saber de experiência se dá na relação entre o conhecimento e a vida. [...] No saber da experiência não se trata da verdade do que são as coisas, mas do sentido ou do sem-sentido do que nos acontece. [...] Se a experiência é o que nos acontece e se o saber da experiência tem a ver com a elaboração do sentido ou do sem-sentido do que nos acontece, trata-se de um saber finito, ligado à existência de um indivíduo ou de uma comunidade humana particular. [...] Por isso, o saber da experiência é um saber particular, subjetivo, relativo, contingente, pessoal. A infância, registrada por meios tecnológicos e midiáticos, imobiliza o tempo e a vida... Seja através de um flash, um retrato ou uma cena. Desta forma, o Projeto ABC Diário da SUSTENTABILIDADE potencializa não só o registro da vida vivida na educação infantil, mas enuncia as memórias positivas desta infância. Tecnologias e Mídias Móveis em tempos de Cultura Digital A concepção de aprendizagem móvel para o ensino pressupõe a proposição de novos usos e combinações pedagógicas criativas, aliados a diferentes multimídias, visando atender as especificidades dos dispositivos móveis e as possibilidades de criação de redes de comunicação, que integram os fazeres docentes e discentes (Boll e Lopes, 2018, p. 7-8). Para tanto, é perceptível que há muitas oportunidades significativas de aprendizagem na proposta metodológica que envolve a tecnologia (especialmente a móvel) voltada, também, para a educação básica. A interação com experiências que propõe o uso de tecnologias e mídias móveis, em tempos de cultura digital, contribui para que, desde muito pequenas, as crianças desenvolvam senso estético e crítico, o conhecimento de si mesmas, dos outros e da realidade que as cerca. Segundo a BNCC (BRASIL, 2018, p. 39), [...] a Educação Infantil precisa promover a participação das crianças em tempos e espaços para a produção, manifestação e apreciação artística, de modo a favorecer o desenvolvimento da sensibilidade, da criatividade e da expressão pessoal das crianças, permitindo que se apropriem e reconfigurem, permanentemente, a cultura e potencializem suas singularidades, ao ampliar repertórios e interpretar suas experiências e vivências artísticas. [grifos meus] Conforme abordam os estudos de Axt (2002, p. 38): Pensar as tecnologias para a Educação é um exercício de reflexão de um coletivo, um coletivo que possa cooperativamente potencializar a tomada de decisões, assumir posições, criar iniciativas, traçar planos, estabelecer políticas, definir pedagogias, definir pontos de partida, inventar novos percursos, novos trajetos, em síntese: na escola, reinventar a escola; potencializar a educação pela aposta na reflexividade. Axt (2002, p. 38) ao conceituar os atores escolares como sendo os discentes, os docentes e os gestores, complementa nos propondo a pensar que podemos: [...] optar por uma democratização das relações dos atores escolares entre si, bem como optar por sistematicamente trabalhar com a desconstrução da informação e comunicação encapsuladas, e com as condições possibilitadoras da construção de conhecimento. Desta maneira, a autora compreende que, a partir dessa postura, obteremos condições para exercer “[,,,] uma relação produtiva e enriquecedora entre escola e tecnologias”, ou seja, potencializando uma mudança “[...] nos modos pedagógicos convencionais de forma a garantir espaço para a emergência dos processos criativos e organizativos do conhecimento, um conhecimento que é tanto de natureza científica, quanto filosófica, estética e ética” (Axt, 2002, p. 38).

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