educaSesc#3
35 EDUCA SESC 2019 primeiromomento questionamos:“O que é a Libras? Por que devemos usar Libras?”. As crianças refletiram:“Serve pra falar comquemnão escuta.”;“O surdo faz libras para conversar.”;“Libras é quando a gentemexe comas mãos e fala”. Nas oficinas e através de jogos e brincadeiras de expressão corporal emusical, o grupo foi compreendendo o uso da Libras na comunicação dos surdos e se tornarammultiplicadores de saberes, compartilhando sobre os sinais e provocando mudanças no olhar das pessoas mais próximas e se tornaramdisseminadores de umnovo conhecimento. Além disso, esse envolvimento prático com a língua de sinais garante diminuir o impacto futuro da exclusão pela falta de conhecimento, promovendo uma construção de respeito. É assim que queremos despertar as crianças para uma escola inclusiva e comprometida com a diversidade, em especial, integrada de uma forma que não haja espaço para o olhar de preconceito, mas compreendendo a necessidade de alcançarmos a acessibilidade para todos. Nesse contexto, Santos (2003, p. 56) averba que: Temos o direito a ser iguais quando a nossa diferença nos inferioriza; e temos o direito a ser diferentes quando a nossa igualdade nos descaracteriza. Daí a necessidade de uma igualdade que reconheça as diferenças e de uma diferença que não produza, alimente ou reproduza as desigualdades. Através das investigações sobre acessibilidade, compreendemos que existem singularidades na nossa sociedade e com a visita de integrantes do Grupo Esporte para Todos (1) da cidade de Alegrete, realizamos trocas e conversas para as crianças compreenderem mais sobre o esporte adaptado: como ele contribui para o desenvolvimento de todos e auxilia no processo de socialização. Para as crianças não existiram barreiras, todos se inseriram nesta prática esportiva, fazendo juntas as mesmas atividades. O que estava claro era o jogo, sem perceber as diferenças físicas, mas percebendo apenas a necessidade de adaptação. Este dia foi especial para todos no Sesquinho, pois conseguimos vvenciar a empatia e colocar-se no lugar do outro. A inclusão é, sem dúvida, abandonar estereótipos e entender que pessoas diferentes devem ter os mesmos acessos e direitos para alcançarem seus objetivos. Para ampliar a compreensão das diferenças e a ideia de objetivos comuns realizamos uma proposta de visita à APAE – Alegrete, compartilhando experiências, troca de vivências e sentimento de pertencimento à sociedade local. Aprender sobre as diferenças se dá somente emum processo interativo coma comunidade de crianças com transtornos e deficiências. A escola é o espaço de contribuição que oportuniza e encoraja essa vida social. Nas palavras de Stainback e Stainback (1999, p. 22) aparece a ideia de que: “Nas salas de aula, todas as crianças enriquecem-se por terema oportunidade de aprender umas comas outras, desenvolvem-se para cuidar umas das outras e conquistamas atitudes, as habilidades e os valores necessários de inclusão de todos os cidadãos.” Acreditamos na escola como espaço que propõe a convivência entre as crianças respeitando as diversidades, como sujeitos que pensam, dotados de capacidades e compotencial para descobrir omundo. Através de suas relações, seja emgrupos pequenos, individual ou coletivamente, se constrói as identidades individuais. A criança, então, é protagonista de suas ações, pesquisando, interagindo e experimentando o mundo a sua volta. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AMBROSETTI, Neusa Banhara. O“Eu”e o“Nós”: trabalhando coma diversidade em sala de aula. In: Marli André (Org). Pedagogias das diferenças na sala de aula. São Paulo: Papirus, 1999. p. 81-105. SESC. Proposta Pedagógica da Educação Infantil no Sesc. Rio de Janeiro, 2015. BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Lei Nº. 10.436, de 24 de abril de 2002. Dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS e dá outras providências. BRASIL. Convenção sobre os direitos das pessoas com deficiência. Decreto nº 6.949/2009. STAINBACK, Susan; STAINBACK, William. Inclusão: um Guia Para Educadores. Porto Alegre: Artes Médicas, 1999. SANTOS, Boaventura de Sousa. Reconhecer para libertar: os caminhos do cosmopolitanismo multicultural. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003. Temos o direito a ser iguais quando a nossa diferença nos inferioriza. LÍDIA BEATRIZ FERRÃO OLIVAR é licenciada em Pedagogia pela Universidade Norte do Paraná (Unopar), é instrutora pedagógica da Escola de Educação Infantil do Sesc – SESQUINHO, EM ALEGRETE (RS). MARILETI RAMOS SALDANHA DE OLIVEIRA é licenciada em Pedagogia pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e pós-graduada em Psicopedagogia pelo Centro Universitário Franciscano (UNIFRA), atua como supervisora pedagógica da Escola de Educação Infantil do Sesc – Sesquinho, em Alegrete (RS). 1 O Grupo Esporte Para Todos é formado por membros da sociedade para o incentivo à inclusão social, desenvolvimento motor e a melhoria da qualidade de vida de pessoas com diversos tipos de deficiências. Seus participantes praticam modalidades como bocha, tênis de mesa, basquete e musculação, com monitoramento e orientação de especialistas.
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