educaSesc#3

37 EDUCA SESC 2019 JÉSSICA FINGER é especialista em Dança (UFRGS). Graduanda em Educação Física (ULBRA). com idades entre 62 a 86 anos. Inicialmente, essas idosas ingressam no grupo de convivência, e, posteriormente, podem eleger uma modalidade dentro do projeto. As aulas de dança da oficina são realizadas 2 vezes por semana com 1 hora de duração na Unidade do SESC Centro Histórico Porto Alegre (RS). O conteúdo das aulas é dividido em três partes. Na primeira parte são realizados exercícios de aquecimento e desinibição. Na segunda parte, ocorre o desenvolvimento de atividades específicas de dança: improvisação, exploração de movimentos baseados em atividades da vida diária (escovar os dentes, cabelo, abrir a porta, vestir a roupa e calçados), caminhar, pulsos e ritmos. No final da aula são trabalhadas atividades de relaxamento e alongamento. Durante as aulas, busco explorar as potencialidades dos alunos e desenvolvo um olhar direcionado as suas limitações, através da utilização de movimentos da vida diária. Utilizo a música como um elemento motivador e, também, a reprodução de sons. A criação de coreografias é consequência de um desejo do grande grupo, sendo trabalhada, quando o grupo demonstra interesse. Quando isso ocorre, realizamos um processo de criação coletivo, sendo o mesmo de grande valia para todas as participantes, que percebem a sua ação como uma protagonista deste processo. As oficinas de dança têm o objetivo de proporcionar independência física e funcional para estas idosas. As atividades ministradas são sistematizadas, exploradas, orientadas e planejadas, com o intuito de contribuir para a melhoria da qualidade de vida das participantes. Registrando algumas falas das integrantes do grupo, com a questão qual o valor que a oficina de dança tem em sua vida e alguns benefícios que a mesma proporciona: “A dança é bom porque fazemos física e encontramos as amigas”(aluna 1); “Sempre gostei de dançar, mas não sabia que podia”(aluna 2); “Não posso escutar uma música que já saio me mexendo”(aluna 3). Nesse sentido, a dança pode ser um instrumento usado na socialização e prevenção de diversas doenças que acometem o idoso, dando ao mesmo uma melhor qualidade de vida, independência e autoestima por um período maior de vida. A auto-imagem e a auto-estima estão interligadas e dependem de como cada um se encontra, especialmente os idosos, pois no dia-a-dia há interferências na saúde, no humor, no clima, na solidão, relacionamentos, relação do idoso com a aparência do corpo, perdas em geral. (NERI, 1999) A prática da dança pode ser aplicada em qualquer grupo etário e principalmente em idosos e deve ser trabalhada de forma que o indivíduo sinta prazer, alegria e bem-estar físico, e nunca como uma prática imposta e dolorosa. Deve-se sempre respeitar os limites e a individualidade biológica de cada pessoa. Para Garcia e Hass (2003), a “dança é uma das manifestações artísticas mais capazes de expressar sentimentos, os mais profundos, tanto abstratos quanto concretos”. Promover a melhoria e o aperfeiçoamento das qualidades físicas do ser humano: agilidade, coordenação, equilíbrio, flexibilidade, força, resistência, ritmo e velocidade; promover o desenvolvimento e a melhoria da natureza socioemocional e afetiva do ser humano de despertar potencialidades sociais positivas como cooperação, socialização, solidariedade, liderança, compreensão, laços de amizade/de apego; promover o desenvolvimento e a melhoria da natureza cognitiva do ser humano no sentido de despertar potencialidades reflexivas como raciocínio, atenção, concentração, criatividade, senso estético; promover o desenvolvimento e a melhoria da consciência corporal e consciência espaço temporal; oportunizar a autoestima e a autonomia; estimular o potencial criativo e autoexpressão; conscientizar sobre a cultura e sua importância, sobre sentimentos bons e sobre concepção e prática da cidadania (GARCIA; HASS, 2003, p. 147). CONSIDERAÇÕES FINAIS Uma vida ativa faz com que o idoso se sinta disposto para outras atividades da sua vida diária. É importante que perceba em si próprio e nos outros a disposição para viver melhor. Dessa forma, cria-se a possibilidade de reconstruir e repensar que hoje eles têm várias oportunidades de terem a melhor maneira de viver com qualidade. A dança é uma atividade física que incentiva a socialização, a autoestima e possibilita o desejo da satisfação. O programa “SESC Maturidade Ativa”contribui para inserir na vida das idosas atividades rítmicas e expressivas, proporcionando bem-estar social e de saúde. Despertar movimentos através da dança ocasionaram mudanças na vida dessas mulheres idosas e trouxeram uma nova visão de mundo, pois além de ensinar a dança, aprendo muito com suas vivências. Respeitar seus sentimentos, muitas vezes preservados há anos e sentir a leveza do ser, com a dança, mostra que esse método é indicado para tratar o envelhecimento de forma lúdica e prazerosa. Nosso papel como educadores, agentes ou mediadores de movimento é trazer e fazer com que esta população tenha consciência de que a dança, independente da modalidade, é de suma importância para melhorar a condição de vida do ser humano, ou seja, qualquer que seja o exercício físico que o idoso praticar só vai atrair aspectos positivos no decorrer da velhice. Por fim, através dos relatos das idosas e observações em aula afirmam que a dança proporciona prazer, felicidade, satisfação e diversão. Enfim, um estado de bem- estar consigo mesmo. A dança torna-se de grande importância às participantes, proporcionando-lhes bem-estar físico, social e psicológico; é benéfica para a saúde e é uma atividade que traz satisfação pessoal e todas gostam dessa atividade, por isso estão fazendo as aulas. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS DALLEPIANE, Loiva B. Envelhecimento humano: Campos de saberes e práticas em saúde coletiva. Ijuí, Editora Uniijuí, 2009 Estudos Interdisciplinares sobre envelhecimento. Núcleo de estudos interdisciplinares sobre o envelhecimento da PROREXT/UFRGS. Vol. 18, n° 2, 2013 GARCIA, A.; HASS, A. N. Ritmo e dança. Canoas: Ed. ULBRA, 2003. MINISTÉRIO DA SAÚDE – PROGRAMA SAÚDE DO IDOSO. Envelhecimento ativo: uma política de saúde. Disponível em: <http://www.portal.saude. gov.br/portal/arquivos/ pdf/envelhecimento_ativo. pdf>. Acesso em 14 mai 2016 NERI, A. L. Psicologia do envelhecimento. São Paulo: Papirus, 1995. 276p. ___ . Qualidade de vida e idade madura. 2 ed. São Paulo: Papirus, 1999. 285p. SOARES, Cristiane L. R. Uma vida para si na velhice feminina: uma abordagem sobre individualização entre mulheres idosas. Revista A Terceira idade: Estudos sobre envelhecimento/SESC – Gerência de estudos e programas da terceira idade. Vol. 24, n° 56. Março 2013.

RkJQdWJsaXNoZXIy NjI4Mzk=