educaSesc#3

EDUCA SESC 38 2019 RESUMO Com o objetivo de apresentar a importância da afetividade na relação adulto/criança, principalmente no desenvolvimento do Projeto Habilidades de Estudo – PHE, trago este relato de uma experiência realizada com uma das turmas no Sesc Navegantes – Porto Alegre/RS. A vivência foi pensada para despertar nas crianças sobre valores essenciais, como o amor, e fazer com que elas transmitissem o amor para as famílias como se fosse algo palpável. Baseando-se nas propostas de Wallon, Piaget, Oliveira e Cunha, autores que trazem a criança como um ser integral, munido de sentimentos e que não pode ser visto de uma forma fragmentada, foi utilizado o conceito de afetividade para despertar nas crianças que o que possuímos de mais valioso não pode ser comprado. Foi realizada uma receita culinária com as crianças com a intenção de adicionar um ingrediente especial: o amor. EIXO TEMÁTICO: relacionamentos. PALAVRAS-CHAVE: crianças, afetividade, relação adulto/criança. INTRODUÇÃO É inegável a interligação da afetividade no desenvolvimento integral da criança, pois, com o vínculo, ela aprende a confiar no adulto mediador e, consequentemente, gosta muito mais do que é proposto e combinado entre a turma. Em todos os ambientes que as crianças frequentam elas se relacionam emocionalmente com adultos e com outras crianças. Em função disso, percebe-se a importância de refletir sobre atividades que direcionem a um maior conhecimento da criança sobre a sua realidade. A criança é um ser em fase de desenvolvimento com emoções e sentimentos, e precisamos levar isso em consideração, principalmente em um ambiente de incentivo a habilidades socioemocionais como o Projeto Habilidades de Estudo – PHE, já que, muitas vezes, em um ambiente escolar, encontramos resistência na valorização desses fatores. Mahoney (1993, p. 68) afirma que: A criança, ao se desenvolver psicologicamente, vai se nutrir principalmente das emoções e dos sentimentos disponíveis nos relacionamentos que vivencia. São esses relacionamentos que vão definir as possibilidades de a criança buscar no seu ambiente e nas alternativas que a cultura lhe oferece, a concretização de suas potencialidades, isto é, a possibilidade de estar sempre se projetando na busca daquilo que ela pode vir a ser.” A sala de aula ainda segue um modelo que privilegia o tradicional de ensino, no qual a criança fica imóvel em uma classe por horas, como um “depósito de conhecimentos”, não podendo, muitas vezes, se expressar, ampliar e desenvolver as suas capacidades. Sabemos também que em casa, na maioria das vezes, a relação entre pais e filhos está cada vez menor, seja em tempo e qualidade, pois muitas vezes mesmo a família estando presente, o tempo que passam juntos acaba não sendo de qualidade devido às tarefas e afazeres que os pais possuem, e acabam não percebendo a importância dessa relação com os filhos e o quanto isso contribui para o desenvolvimento deles. As variadas novidades tecnológicas diminuem o diálogo e, consequentemente, as relações afetivas vão diminuindo. Conforme Wallon (1999), em sua teoria psicogenética, o indivíduo é um ser corpóreo, concreto e deve ser visto como tal, ou seja, seus aspectos cognitivos, motor e afetivos fazem parte de um todo, por isso a criança não deve ser vista de forma fragmentada. É preciso sempre que se leve em consideração todos os aspectos, tanto na aprendizagem, quanto em suas relações com o outro e com o meio onde está inserido. A partir desse olhar, é necessário que se estabeleça primeiro uma relação afetiva com as crianças, para que elas aprendam a confiar no adulto mediador do Projeto, e, consequentemente, apresentar um melhor desempenho e envolvimento nas atividades realizadas. A afetividade contribui de muitas formas para a formação integral das crianças, seja em suas relações e na aprendizagem. Quando a criança se sente amada, ela se sente parte do meio, e passa a ser protagonista em suas escolhas e em seu desenvolvimento. Pois é nas relações com afeto que a criança vai desenvolver sua autoconfiança, autoestima, aprender a confiar no próximo, sua inteligência emocional, entre muitos outros aspectos que são essenciais para toda a sua vida. POR KETTELIN CARVALHO DOS SANTOS COZINHA COM AMOR: A AFETIVIDADE NA RELAÇÃO ENTRE CRIANÇA E ADULTO Para que a receita desse certo, era necessário que cada um colocasse um pouquinho de amor no seu biscoito.

RkJQdWJsaXNoZXIy NjI4Mzk=