educaSesc#3
EDUCA SESC 40 2019 podemos comprar? O que os pais oferecem para as crianças que não é vendido em lojas? Surgiu, então, a ideia desta atividade para responder essas questões e trabalhar com o conceito de afeto com as crianças. REFERENCIAL TEÓRICO Conforme Piaget (1976, p.16), o afeto é papel fundamental na inteligência do homem, pois a “vida afetiva e cognitiva são inseparáveis, embora distintas. E são inseparáveis porque todo o intercâmbio com o meio pressupõe ao mesmo tempo estruturação e valorização.”Podemos pensar que, sem afeto, o interesse não é estimulado, nem a necessidade e motivação pela aprendizagem, e não há também questionamentos, e sem os questionamentos, não há desenvolvimento mental. Afetividade e cognição se complementam e uma dá suporte ao desenvolvimento da outra. SegundoWallon (1975), o nascimento da afetividade vem da inteligência humana, pois a criança, ao nascer, estabelece relações afetivas com os adultos mais próximos, e conforme vai crescendo e amadurecendo, sua interação com o mundo vai se desenvolvendo. A partir de então, suas relações deixam de ser apenas com a família e passam a ser, também, com outras pessoas em seu convívio. Durante a infância, a afetividade que a criança constrói nas relações familiares fornece uma base de apoio para o seu desenvolvimento e que, ao chegar na fase escolar, a criança vai concretizar, ou seja, colocar em prática tudo aquilo que aprendeu. Mesmo o Projeto não sendo escolarizado, cabe ao Instrutor mediador utilizar métodos pedagógicos que conduzam as crianças a tirarem o máximo proveito dos meios que são oferecidos e também dos seus próprios recursos. O período que as crianças frequentam o PHE possui uma enorme importância no desenvolvimento socioemocional delas, pois é neste momento que elas desenvolvem relações e vínculos fora de sua família e fora do seu ambiente escolar. Visto isso, quanto mais interações, mais as crianças vão estabelecendo relações simétricas com outras crianças e assimétricas com os adultos. Oliveira (2007, p.138), afirma que: As interações da criança com seus parceiros sociais provocam confrontos de significações e incentivam os parceiros a considerar as intenções dos outros e superar contradições que surjam entre eles. Com isso, ela constitui formas mais elaboradas de perceber, memorizar, solucionar problemas, lembrar-se de algo, emocionar-se com alguma coisa, formas essas historicamente construídas. Na relação adulto/criança, que também é uma relação de pessoa para pessoa, não há como a afetividade não estar presente. Como citado na Proposta Pedagógica do PHE, é a “possibilidade de sonhar e coletivizar o sonho de uma educação comprometida com a alegria e com a vida que humaniza a relação entre quem ensina e quem aprende.” METODOLOGIA, RESULTADOS E DISCUSSÕES Então, para responder as “questões-problema” mencionadas, foi pensada e proposta uma atividade lúdica com as crianças, por meio do projeto “Sou Extraordinário”. No primeiro momento foi conversado em roda sobre realizar uma culinária. Todos ficaram muito animados com a proposta. Então definimos o dia realização. Comentamos sobre os ingredientes que colocaríamos na nossa receita de biscoito. As crianças foram sugerindo variados ingredientes. Foi, então, que mencionei que haveria um ingrediente especial nesse biscoito, e isso os intrigou ainda mais. No dia combinado, fomos para a cozinha e todos estavam muito animados para fazer o biscoito. Ficamos em volta da mesa e fomos adicionando os ingredientes na tigela. E um deles era especial: um ingrediente que estava dentro de cada um. O ingrediente que faltava era o amor. Para que a receita desse certo, era necessário que cada um colocasse um pouquinho de amor no seu biscoito. As crianças reagiram surpresas e gostaram muito de terem que adicionar o ingrediente. Realizaram a atividade, muito empolgadas e ansiosas para provar o biscoito com gostinho de amor. E, quando os biscoitos ficaram prontos, todos comeram e se mostraram muito satisfeitos com o resultado daquilo que produziram. Enquanto as famílias chegavam para buscar as crianças, elas ofereciam para o seu familiar e diziam os ingredientes. Os pais ficavam muito surpresos quando a criança citava o “amor”. E, em quase todos os casos, ao ouvirem o último ingrediente, era possível ver a emoção na expressão facial dos pais e o abraço afetivo dado na criança naquele momento. CONCLUSÕES FINAIS Conclui-se que esta atividade tenha atingido todos os objetivos propostos, porque ela foi além de um momento entre as crianças. A experiência também contribui para o fortalecimento da relação do instrutor com as crianças, e atingiu as famílias indiretamente. Foi um momento enriquecedor de trocas de ideias, de experiências e também de vivências em um ambiente diferente. O resultado gerou afetividade, surpreendeu as crianças e famílias e foi um momento especial e divertido para todos os envolvidos. Que esta atividade apresentada possa inspirar outros profissionais e ser recriada em outros ambientes educacionais, contribuindo para a transformação das relações entre crianças e adultos em ambientes escolares e nas turmas do PHE. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS MAHONEY, A. A. Emoção e ação pedagógica na infância: contribuições da psicologia humanista. Temas em Psicologia. Sociedade Brasileira de Psicologia, São Paulo, n º 3, p. 68, 1993. OLIVEIRA, Zilma Ramos. Educação infantil: fundamentos e métodos. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2007. PIAGET, Jean. A construção do real na criança. Rio de Janeiro: Zahar, 1976. WALLON, H. A evolução psicológica da criança. Lisboa: Edições 70, 1999. WALLON, Henri. Psicologia e Educação da Infância. Lisboa: Editorial Estampa, 1975. KETTELIN CARVALHO DOS SANTOS é pedagoga e Instrutora Pedagógica no Projeto Habilidades de Estudo SESC Navegantes em Porto Alegre (RS).
Made with FlippingBook
RkJQdWJsaXNoZXIy NjI4Mzk=