educaSesc#3

EDUCA SESC 44 2019 RESUMO Este trabalho pretende demonstrar, por meio de pesquisa de suporte metodológico bibliográfico, a relevância do estudo das heterogeneidades socioculturais como mediadoras do desenvolvimento da educação para a inclusão. Os princípios fundamentais da inclusão que definem o contexto de uma educação para todos encontram-se em (MACEDO, 2005). As atitudes colaborativas fundamentadas em políticas claras apresentam-se instituídas pelo Decreto no 7.611, de 17 de novembro de 2011. As questões pertinentes ao empoderamento estão descritas por (BOURDIEU, 1983). Ao apresentar essa pesquisa, tenciona-se promover a reflexão sobre a necessidade de um redimensionamento e aprimoramento das práticas pedagógicas globais do (a)s professores (a)s na realização dos seus (as) objetivos em situações de ensino-aprendizagem. EIXO TEMÁTICO: sociedade. PALAVRAS-CHAVE: heterogeneidade, inclusão, educação, empoderamento, práticas pedagógicas. AS HETEROGENEIDADES MULTICULTURAIS As heterogeneidades multiculturais, sociais, educacionais, políticas, de gênero, de revoluções identitárias e de divergentes posições ideológicas tomaram proporções gigantescas no contexto mundial. As autoridades internacionais de órgãos públicos, como a ONU [1] e a UNESCO, reconhecem que a heterogeneidade constitui a natureza biológica humana e a sua construção sociocultural em essência desde o início dos tempos. Essas autoridades internacionais têm como consenso geral o reconhecimento das singularidades socioculturais como uma necessidade de caráter emergencial para a inclusão. Para tanto, são necessárias ações políticas inclusivas claras e colaborativas fundadas no respeito e no enfrentamento das desigualdades. O enfrentamento aos problemas que envolvem o envelhecimento, a misoginia, o racismo, a xenofobia são urgentes para o tratamento adequado das diferenças para a inclusão [2] social. No entanto, a problemática que envolve as questões pertinentes às diferenças requer um posicionamento crítico e prático na busca de condições de acesso a um ensino-aprendizagem de caráter humanamente adequado. O desenvolvimento dessa consciência e de ações práticas que neutralizem os efeitos devastadores causados pela ausência de um ensino- aprendizagem inclusivo, necessita de atitudes colaborativas fundamentadas em políticas claras como as instituídas pelo Decreto no 7.611, de 17 de novembro de 2011. A INCLUSÃO É UMA RESPONSABILIDADE PEDAGÓGICA Antes de compreender os princípios fundamentais da inclusão que definem o contexto de uma educação para todos, conforme Macedo (2005) é preciso compreender que a questão central relativa à inclusão é de ordem sociocultural e, como consequência, pedagógica. Situada nas diferenças pelo processo de seleção estabelecido pelos seus critérios, as escolas, que sempre selecionaram os alunos na entrada ou no percurso, agora se vêm obrigadas a incluir a todos, independentemente de suas condições. A seleção se processa pela classificação, questão que deve ser revisada a partir da tomada de consciência da ação dos professores e dos profissionais da educação sobre os problemas que envolvem os antigos padrões de ensino. A compreensão sobre esses antigos padrões de ensino que representam as relações pedagógicas, seus objetivos educacionais e seus sentidos, poderá significar a possibilidade de uma política clara que deve estar pautada no compromisso com a responsabilidade do direito de todos os alunos à educação. Infelizmente, a escola, como é conhecida, foi constituída pela cultura das semelhanças. Por essa razão, o grande desafio para o desenvolvimento de uma educação para todos reside na compreensão do que sejam as semelhanças e as diferenças pela qual se relacionam, combinam e se completam no contexto educacional. A escola, como é conhecida, é um ambiente socialmente constituído por pessoas que, através da cultura da semelhança, a organizaram por uma lógica classificatória a partir de tudo o que é conhecido. Por esse princípio, frente a algo diferente, particular ou novo, as pessoas procuram classificar tudo, atribuindo um conceito para aquilo que é particular numa perspectiva geral que, então, se torna confortavelmente conhecido. A classificação pela semelhança traz uma sensação ilusória de inteireza e de segurança que não é permitida pela diferença. Nessa perspectiva,“o que não serve é excluído, fica sem lugar, fica entregue à própria sorte”. (MACEDO, 2005, p. 12). Nesse procedimento de classificação pelas semelhanças, sob a proteção da lei da sobrevivência, a singularidade, a diversidade e as coisas ameaçadoras são eliminadas. No entanto, ironicamente“o conhecimento como semelhança só se complementa pela diferença”. (MACEDO, 2005, p. 12). Ao contrário da cultura classificatória que parte das semelhanças, a diferença é uma maneira de organizar a partir das inferências extraídas do entre lugar, do abstrato, de tudo o que é desconhecido, inexplicável ou que não se encaixa. Por essa razão, DIFERENÇA, O EQUILÍBRIO DA COMPLEMENTARIDADE POR KATHY REJANE PESTANA TORMA 1 UNESCO/Ministry of Education and Science (1994) Final Report on theWorld Conference on Special Needs Education: Access and Quality. Salamanca, Spain, 7-10 June 1994. 2 No texto da UNESCO/Ministry of Education and Science em Salamanca (1994), em 1994, o ministro estabelece que: inclusão e participação são essenciais à dignidade humana e ao gozo e exercício dos direitos humanos. No campo da educação, tal se reflete no desenvolvimento de estratégias que procuram proporcionar uma equalização genuína de oportunidades. A experiência emmuitos países demonstra que a integração de crianças e jovens com necessidades educacionais especiais é mais eficazmente alcançada em escolas inclusivas que servem a todas as crianças de uma comunidade. (SANTOS, 2007, p. 5).

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