educaSesc#3
47 EDUCA SESC 2019 RESUMO Vivemos numa sociedade de consumo e as mídias, juntamente com outras instâncias de socialização e formação, oferecem aos jovens referências e representações que forjam as relações que esses sujeitos estabelecem consigo mesmos e com a sociedade, criando necessidades, desejos, alterando condutas, visões de mundo e modos de vida. Sendo assim, investigar a relação entre juventudes e mídias digitais é algo desafiador e necessário, tendo em vista que as escolas ainda conhecem pouco acerca das experiências culturais dos jovens que frequentam as salas de aula. Partindo dessas compreensões, realizou-se uma pesquisa com um grupo de jovens que integram o Programa X oferecido pela empresa Y, localizada no Município de Gravataí/RS. A pesquisa, de cunho qualitativo, buscou investigar o consumo midiático, os usos e as práticas compartilhados pelos estudantes nas mídias digitais. Por meio da aplicação de um questionário, verificou-se que as mídias digitais estão entre as principais atividades de lazer e entretenimento dos jovens. A pesquisa reforça a necessidade de mediação pedagógica para que os jovens possam realizar usos críticos das mídias digitais, refletindo sobre seus conteúdos e linguagens, a fim de ampliar seus repertórios culturais e as compreensões sobre o fluxo informacional na sociedade contemporânea. EIXO TEMÁTICO: internet. PALAVRAS-CHAVE: juventude, sociedade de consumo e mídias digitais. JUVENTUDES E MÍDIAS DIGITAIS: ARTICULAÇÕES E DESAFIOS PARA A ESCOLA CONTEMPORÂNEA Este artigo apresenta reflexões suscitadas por uma pesquisa interessada em compreender a relação das juventudes contemporâneas com as mídias digitais. Ao longo da história, é notório que as mídias evoluíram de forma significativa. Já em 1989, os pesquisadores Babin e Koloumdjian (1989) afirmavam que o avanço das tecnologias de informação e comunicação e a adoção de aparelhos eletrônicos modelavam progressivamente as dimensões intelectual e afetiva dos jovens. Atualmente, vivemos numa sociedade orientada pelo e para o consumo e as mídias, juntamente com outras instâncias de socialização e formação, oferecem aos jovens referências e representações que forjam as relações que esses sujeitos estabelecem consigo mesmos e com a sociedade, criando necessidades, desejos, alterando condutas, visões de mundo e modos de vida. Sendo assim, investigar a relação entre juventudes e mídias digitais é algo desafiador e necessário, tendo em vista que as escolas ainda conhecem pouco acerca das experiências culturais dos jovens que frequentam as salas de aula na atualidade. Por certo, os currículos dessas instituições de ensino podem promover articulações com os interesses e práticas compartilhados pelos estudantes, tornando as salas de aula locais que acolhem temáticas e experiências dos jovens, problematizando-as em articulação com a abordagem dos conhecimentos científicos. Partindo dessas compreensões, foi desenvolvida uma pesquisa com um grupo de jovens da faixa etária de 16 a 21 anos de idade, que integram o Programa X, oferecido pela empresa Y localizada no Município de Gravataí/RS. A pesquisa buscou investigar o consumo midiático, os usos e as práticas compartilhados pelos estudantes por meio das interações com as mídias digitais. Juventudes, sociedade de consumo e mídias digitais: situando os conceitos da pesquisa Atualmente, percebe-se uma significativa mudança na compreensão acerca da juventude e da velhice enquanto grupos geracionais. Observa- se a busca e a valorização da juventude como um ideal a ser perseguido, independentemente da idade cronológica. A ampliação do tempo de escolaridade, as dificuldades enfrentadas quanto ao ingresso no mercado de trabalho e a alta concorrência verificada neste âmbito, conduzem o jovem e o adulto a prolongarem suas adolescências por muito mais tempo, o que implica a permanência na casa de familiares, o envolvimento em relacionamentos afetivos, por vezes voláteis, e a manutenção da dependência financeira em relação aos pais. Por muito tempo acreditou-se, de forma quase consensual, que vivenciar a juventude como etapa da vida estava associada a condutas como irresponsabilidade, alienação, violência e experiências de risco. Associava-se à juventude, grosso modo, a vivência de um momento de transição, mudança e indecisão. Para Kehl (2012) estudos feitos na atualidade apresentam pontos de vistas diversos, em que ora o jovem é focalizado como protagonista criador e até mesmo como agente de transformação das formas de vida de que faz parte, em diferentes ambientes sociais, econômicos e culturais, ora é retratado e compreendido como alguém passivo e adaptado à sociedade de consumo atual e suas formas de interpelação. Esperança (2013) salienta a correlação dessas mudanças, nas formas de conceber e de viver a juventude, como fruto de um processo histórico que não pode ser dissociado da centralidade assumida pelo consumo na organização da vida social. A partir da obra do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, esta pesquisa evidencia que o consumo tornou-se um atributo da sociedade, assumindo uma relevância que até então não havia sido atribuída ao trabalho e à esfera da produção. Ainda referindo-se à teorização construída por Bauman acerca da sociedade líquido-moderna de consumidores, Esperança (2013) afirma que a sociedade de produtores – arranjo societário da fase “sólida”da modernidade, que antecedeu a AS MÍDIAS DIGITAIS E A FORMAÇÃO DOS JOVENS NA SOCIEDADE DE CONSUMO POR KELI OLIVEIRA VIEIRA E JOICE ARAÚJO ESPERANÇA PARTE2 PARTE1
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