educaSesc#3

EDUCA SESC 48 2019 etapa “líquida”organizada em torno do consumo – engajava seus membros como trabalhadores e soldados, na busca pela construção de um ambiente ordenado e regular, orientado pela perspectiva, da durabilidade e da segurança. Já etapa “líquida”da modernidade, os sujeitos são mobilizados como consumidores, independentemente da idade. Como esclarece Bauman (2005): A ‘sociedade de consumidores’, representa o tipo de sociedade que promove, encoraja ou reforça a escolha de um estilo de vida e uma estratégia existencial consumista, e rejeita todo as opções culturais alternativas. Uma sociedade em que se adaptar aos preceitos da cultura de consumo se segui-los estritamente é, para todos os fins e propósitos práticos, a única escolha aprovada de maneira incondicional. Uma escolha viável e, portanto, plausível - e uma condição de afiliação. (BAUMAN, 2005, p. 71) Na sociedade líquido-moderna descrita por Bauman, há uma grande disponibilidade de interpelações midiáticas que visam atingir e convocar os sujeitos a consumirem incessantemente. Nessa direção, Esperança (2013) afirma que a proliferação de mídias como o videogame, o computador, a televisão a cabo, o telefone celular, etc., são elementos centrais na comercialização da cultura infanto-juvenil, uma vez que esses meios tecnológicos de informação, comunicação e entretenimento levam ao crescimento e apelos e demandas de consumo voltadas para as crianças e jovens consumidores. Na atual conjuntura, em que vivemos numa sociedade orientada pelo e paro o consumo, grande parte dos jovens não obtém seu próprio sustento, sendo assim constroem outros modos de vida e de existência, atrelados às práticas de consumo materiais e simbólicas, como o acesso às mídias digitais, subsidiados por suas famílias. Diante dessa realidade, a sociedade de consumo constitui a juventude como potente grupo consumidor, de forma que a indústria cria inúmeros produtos endereçados para esse “público”, movidos por intentos comerciais. Portanto, os jovens alcançam a condição de cidadão porque agora consomem e consumir passa a operacionalizar uma forma de cidadania na contemporaneidade, aspecto aprofundado na obra de Canclini (1999) quando relaciona o consumo às formas emergentes de cidadania na sociedade atual. Para Canclini (1999) os consumidores contemporâneos estão imersos num ambiente de produtos culturais cada vez mais diversificados e provenientes de diversas partes do mundo. A partir disso, observam-se mudanças significativas nas formas de consumir, nas formas de identificação e constituição das identidades, pois, se anteriormente o que definia a identidade de um sujeito era, sobretudo, a condição de pertencimento a uma nação, a uma cultura, à realidade social em que se estava inserido, o processo de globalização da cultura levado a cabo pelos meios de comunicação, atualmente, tornaram-se aspectos decisivos na construção das identidades promovendo a desterritorialização e a hibiridização dos sentidos de pertencimento. Com a intensificação do consumo através dos meios de comunicação, informação e entretenimento na sociedade atual, verifica-se, de um modo geral, o abandono dos espaços públicos localizados no ambiente urbano, tais como: praças, instituições religiosas, clubes e a própria rua como ponto de encontro e convivência entre as juventudes. Esses lugares dialogam diretamente com a sociedade de consumo e seus integrantes porque consumir não se resume a frequentar shoppings centers e realizar compras ou aquisições de mercadorias mediante trocas financeiras, tais como roupas, perfumes e acessórios, mas, também, estabelecer relações com os espaços urbanos, marcados pelo multiculturalismo, também expressos, constituídos e ressignificados a partir das vivências experienciadas nesses espaços pelos sujeitos e suas culturas. Nessa direção, Canclini destaca: A identidade surge, na atual concepção das ciências sociais, não como essência intemporal que se manifesta, mas como uma construção imaginária que se narra. A globalização diminui a importância dos acontecimentos fundamentais e dos territórios que sustentam a ilusão de identidades históricas. (1999, p. 117) O consumo não pode ser visto como contrário à história, mas, sim, como um espaço onde as sociedades organizam suas racionalidades, sociabilidades, práticas políticas e interações ©Shutterstock

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