Relatório Econômico 2020 Perspectivas 2021 FARSUL 47 produtor de leite. Com baixa oferta de grão e uma conjuntura de desvalorização cambial por conta da pandemia global do Coronavírus, as cotações de milho – principal insumo de ali- mentação da pecuária leiteira – tiveram uma alta recorde dentro do estado. O preço do milho aumentou 61% somente no período entre janeiro e outubro de 2020, e tal cenário contribuiu frontalmente para um rápido aumento do custo de produção. Margem de Lucratividade do Leite O setor de lácteos vem sofrendo uma crise de demanda interna nos últimos anos, que com- prometeu todos os elos da cadeia produtiva e impactou as margens de lucratividade do leite, tanto da indústria como do produtor. Entretanto, neste ano houve uma retomada do consumo interno: a pandemia da COVID-19 causou fortes impactos na demanda de leite e derivados, consequência das mudanças nos hábitos de consumo das famílias brasileiras durante o pe- ríodo de distanciamento social e pelo Auxílio Emergencial do governo, que estimulou o setor. O cenário projetado para 2020 é de queda modesta na produção - depois de dois anos de consu- mo estagnado -, e a expectativa é de uma oferta ainda muito ajustada à demanda, contribuindo para uma sustentação nas cotações ao produtor. O preço no Rio Grande do Sul registrou alta de 59% na comparação de janeiro com outubro de 2020. Gráfico 32  Preço médio mensal líquido do Leite no Rio Grande do Sul, em R$ por litros Fonte: Cepea/Esalq O preço do litro de Leite no Rio Grande do Sul, em outubro de 2020, foi de R$ 2,08/litro. Esse va- lor foi 64% maior do que a cotação em outubro de 2019 (R$ 1,26/litro). Além disso, como pode-se observar no gráfico do preço, a partir do mês de maio de 2020 os preços iniciam sua trajetória de valorização, exatamente no mesmo período em que a influência do Auxilio Emergencial começa a ser sentida na demanda por alimentos 6 , em conjunto com o recrudescimento das 6 De acordo com a Pesquisa Orçamentária Familiar (POF) do IBGE (referente a 2008), no Brasil, as famílias com salário de até R$ 830 destinam 27,8% das despesas totais para despesas com alimentação ; enquanto famílias com salário superior a R$10.375 destinam apenas 8,5%. A pesquisa mostra que as faixas mais baixas de renda destinam maior percentual para despesas com alimentação . 2,20 2,00 1,80 1,60 1,40 1,20 1,00 2019   2020 1,31 1,31 1,30 1,37 1,36 1,48 1,71 1,85 2,00 2,08 1,19 1,32 1,39 1,43 1,45 1,50 1,32 1,28 1,26 1,27 1,26 1,26 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez

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