Relatório Econômico 2020 Perspectivas 2021 FARSUL 78 Tabela 24  Fundamentos do mercado brasileiro de carne bovina, em milhões de toneladas FUNDAMENTOS 2016 2017 2018 2019 2020* 2021** Variação 19/20 Variação 20/21 Produção 9,28 9,55 9,90 10,20 10,10 10,47 -1,0% 3,7% Importação 0,06 0,05 0,05 0,04 0,05 0,04 16% -20% OFERTA TOTAL 9,35 9,60 9,95 10,24 10,15 10,51 -1% 4% Consumo 7,70 7,80 7,93 7,93 7,60 7,84 -4,1% 3,2% Exportação 1,65 1,80 2,02 2,31 2,55 2,67 10,2% 4,7% DEMANDA TOTAL 9,35 9,60 9,95 10,24 10,15 10,51 -1% 4% Fonte: FAS/USDA (Out/20)  Elaboração: Assessoria Econômica/ Sistema Farsul Notas: * Estimativa USDA ** Projeção USDA Entretanto, a Farsul não acredita que este cenário para o mercado brasileiro de carnes em 2020 irá se confirmar. Isso porque no Brasil as famílias das camadas mais baixas de renda per ca- pita tendem a destinar maior percentual do seu salário ao consumo de alimentos e, neste ano, o Governo Brasileiro concedeu o Auxílio Emergencial para o enfretamento da pandemia. Esta renda concedida às famílias mais vulneráveis deve se refletir em aumento do consumo de car- ne bovina 10 , gerando uma demanda interna inclusive superior ao registrado no ano passado. Diante de um cenário de alta da demanda é provável que a projeção da produção do USDA tam- bém não se confirme verdadeira. A Farsul acredita no aumento da produção de carne bovina para atender à demanda crescente superando, inclusive, a produção de 2019. Para 2021, o USDA projeta aumento da demanda através da retomada do consumo interno e ampliação das exportações. A oferta também deve crescer, com projeção de aumento de 3,7% da produção. A Farsul concorda que a tendência para 2021 é de ampliação das exportações, uma vez que a taxa de câmbio deve se manter em patamares elevados. Entretanto, ficamos receosos em relação à expectativa de ampliação do consumo, já que acreditamos que o consu- mo já foi maior em 2020 e o aumento da demanda interna está, em grande parte, atrelada ao Auxílio Emergencial. 10 De acordo com a Pesquisa Orçamentária Familiar (POF) do IBGE (referente a 2008), no Brasil, as famílias com salário de até R$ 830 destinam 27,8% das despesas totais para despesas com alimentação ; enquanto famílias com salário superior a R$10.375 destinam apenas 8,5%. A pesquisa mostra que as faixas mais baixas de renda destinam maior percentual com despesas com alimentação .

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