Relatório Econômico 2020 Perspectivas 2021 FARSUL 85 2.1 Economia Brasileira Por Antônio da Luz Ao relermos o relatório do ano passado e nos confrontarmos com as perspectivas que tínha- mos para 2020, não há como não sentir saudades daquelas expectativas completamente frus- tradas neste ano de pandemia. De acordo com os especialistas, os primeiros casos de infecção por Coronavírus surgiram na China quando escrevíamos o relatório. Quando a comunidade internacional percebeu sua existência – e amplitude – já tínhamos publicado e apresentado nossas perspectivas. Ao longo de nossa análise o leitor perceberá que trataremos de duas dimensões, quais sejam: o que a pandemia impactou nesse ano e o legado negativo que ela deixa para ser consertado. A crise de saúde em si, associada, principalmente, às medidas de distanciamento, trouxe- ram enormes impactos econômicos mundo a fora e aqui não foi diferente. Não é nosso papel julgar as decisões de governantes perante o desconhecido, até porque reconhecemos as di- ficuldades e acreditamos que a maioria deles agiu da forma que lhe pareceu correta diante das informações que dispunham e carregados das melhores intenções, mas o que nos cabe é sim apresentar o impacto neste ano. A outra dimensão diz respeito ao legado. Por muitos anos, talvez décadas, teremos que conviver com indicadores em determinados patamares por consequência da pandemia. Como exemplo, citamos o excesso de liquidez que está incli- nando a inflação e, por consequência, a curva de juros futuros, um grave problema causado, principalmente, pelo aumento do gasto público encabeçado pelo Auxílio Emergencial, o que levaremos alguns anos para normalizar. Temos, como outro exemplo, a forte elevação da dí- vida pública, o que levaremos talvez décadas para reduzir ou alongar para períodos melhor administráveis, sem falar do risco de dominância fiscal e o custo do convívio com taxas de inflação mais altas, dificuldades de rolagem da dívida e restrição severa de gastos. Enfim, em economia sabemos que simples escolhas erradas podem ter grandes impactos cuja solução exige anos para recuperar, logo não podemos imaginar um cenário menos de- safiador para um evento desta magnitude que estamos vivendo. A velocidade desta recu- peração dependerá muito do “pavimento” pelo qual percorreremos. Se tivermos em pista múltipla, com estrada bem sinalizada e organizada, poderemos empreender uma determi- nada velocidade. Do contrário, se nossa estrada for simples, esburacada e mal sinalizada, an- daremos em outra. Essas metáforas são relacionadas ao ambiente de reformas que o Brasil insiste em procrastinar. Será difícil a recuperação com o atual sistema tributário e com os gastos públicos exigindo reforma administrativa, por exemplo. Isso sem falarmos das pri- vatizações, que poderiam contribuir em muito para o equilíbrio fiscal, mas que, até esse mo- mento, encontram-se em letargia incompatível com o discurso de campanha do presidente e dos congressistas. 2.1.1 Economia Brasileira no Contexto Mundial Infelizmente, se o mundo vai demorar para se recuperar, o Brasil deverá demorar ainda mais. Vejamos no gráfico a seguir o desempenho do Brasil desde 2006 até as projeções para 2025
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