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171 texto. Há que se considerar a distância entre o que é prescrito, o trabalho real e o saber investido por cada um na atividade para, assim, manter o bem estar dos indivíduos no desenvolvimento de suas tarefas. A atividade de trabalho, mais do nunca, precisa ser vista com o foco no huma- no, na ética e no respeito pelo outro. Responsabilidade, solidariedade, confiança, acolhimento e franqueza precisam estar na linha de frente das relações. Devem ser colocadas em prática, com os olhos voltados para a tragédia de uma pande- mia que fragiliza homens, mulheres, crianças, escolas, organizações, sindicatos, empresas, instituições de toda ordem, sacudindo nossas certezas. Até porque já não há certezas. Maio de 2020 TEDxUnisinos 2020 - Um novo tempo O que é um novo tempo? O que mobilizamos ao pensar nesta possibilidade quan- do o agora é feito de incerteza, perplexidade e questionamentos? Talvez a pergunta seja outra. Para quem é este novo tempo? Quem cabe nesta narrativa? Se persistirem as desigualdades sociais, não será um novo tempo. Se a violência e a discriminação seguirem nos amedrontando e dividindo, não será novo. Se a diversidade que nos constitui como sujeitos múltiplos não fizer parte, não será novo. Se não for para todos, não será um novo tempo. Como olhamos o mundo ao redor? Cada um olha a partir de suas raízes e vivên- cias, de universos próprios. Precisamos ampliar nossos olhares. Não é mais pos- sível ignorar uma realidade que exclui a pessoa pela sua diferença. Precisamos sacudir esta sociedade que segrega se quisermos celebrar verdadeiramente “um novo tempo”. Vou me permitir falar de uma questão pessoal para chegar à reflexão que quero dividir aqui. Vocês sabem o que é nanismo? Já pararam para pensar como as pessoas com nanismo vivem e são tratadas? Se procurarmos na história e chegarmos à Idade Média, o susto será grande. De um modo geral, pessoas com nanismo nunca ti- veram lugar na sociedade. O preconceito nos ronda implacavelmente. O passado não foi nosso. O presente não é nosso. E o futuro que vejo desenhado nas ruas e potencializado nas redes sociais, para o bem e para o mal, também não é nosso. Fugindo do radicalismo, até pode ser nosso, mas aí somos bombardeados pela exigência de superação. E a pergunta é: Superar o que mesmo? Se encararmos o cotidiano sem filtro e sem proteção, veremos que as pessoas com nanismo não são levadas a sério. Não são respeitadas. Ainda são vistas como bobos da corte, aqueles que no passado serviam e alegravam a vida de reis

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