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Terminei esta escrita, que pode ser lida de infinitas maneiras – como um desa- bafo, um capricho, uma libertação, uma necessidade, no mês de agosto de 2020, em plena pandemia do coronavírus. Um tempo de renúncias, tristezas, fé, espe- rança e recordações inusitadas. Mexi em guardados, reli bilhetes, joguei muita coisa fora, guardei outras, deixei a emoção fluir sem freios. Nesse movimento, encontrei um livro e um cartão postal emblemáticos, que dizem muito de nós, Marlene e eu, e que quero deixar registrados aqui. No livro O Pequeno Príncipe , de Antoine de Saint-Exupéry, tradução de Dom Marcos Barbosa (1967, Livraria AGIR Editora, Rio de Janeiro, 13ª edição), que está se desmanchando de tanto ser manuseado, a dedicatória diz: “Lelei. Tomara que eu não tenha chegado tarde. Sempre quis te dar este livro. É que tu não és tão importante prá ninguém, quanto prá mim. Um abração bem grande e feliz Natal. Marlene, Natal – 68”. O cartão postal, com imagens da 50ª Feira do Livro de Porto Alegre – A Feira do Livro da gente, diz: “Natal 2006. Querida! Vez por outra, a vida nos faz parar. Pra pensar ... ‘Se, no início da era industrial, víamos nas máquinas a esperança de liberar o ser humano de trabalhos desnecessários, restituindo ao homem a oportunidade e o tempo de se voltar para seus valores mais essenciais, hoje percebemos que acabamos nos mimetizando com seu funcionamento. Assim, muitas vezes funcionamos na mesma lógica da produtividade das máquinas e

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