14 URBE  #5  intermitências URBANAS Comprei uma lata de tinta preta, um rolinho e escrevi meu primeiro Pi- xotosco nummuro. A adrenalina do ato me conquistou na hora. Nunca mais pa- rei de pichar e isso mudou minha vida. Diferente das grifes que repetem sem- pre o mesmo desenho das letras (como um logotipo), o Pixotosco sempre saiu diferente. O muro virou um laboratório de experimentação, onde as regras do type design não se aplicavam. Com o tempo, o desenho de le- tras deu lugar a uma série de bichos feitos com pixels. A tentativa de mistu- rar a linguagem digital com o mundo animal desembocou no dragão/jacaré que pinto até hoje. Esse personagem O muro virou um laboratório de experimentação, onde as regras do type design não se aplicavam. TONY DE MARCO te inspirada nessa estética. Já sabia que apenas pesquisar o tema não bastava, isso seria apenas imitação. Eu precisava aprender a pichar para poder desenvol- ver minhas próprias letras. Meses de rabiscos depois, eu ti- nha desenvolvido uma caligrafia urba- na para chamar de minha, só faltava um nome. A tradição paulistana de nomes dos grupos (as chamadas grifes) é diver- tidamente autodepreciativa: “Loucos”, “Os Podrão”, “Barrados”, “Pigmeus” e “Os Dorme Sujo” são alguns deles. Esco- lhi assinar “Pixotosco”. O nome me pa- receu irônico o suficiente, uma contra- posição aos cânones estéticos e rigores técnicos que o type design exige.

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