15 URBE  #5  intermitências URBANAS herdou o nome Pixotosco. E eu tam- bém sou chamado de Pixotosco pelos outros grafiteiros. Depois de pichar muito, eu já não queria apenas mostrar minha arte para o maior número de pessoas possível. Queria, também, testar outros formatos de intervenção urbana. E, principalmen- te, surpreender as pessoas. Primeiro fiz uma ferramenta para desenhar na areia da praia de Santos. Um gadanho enorme que riscava o solo em faixas de um metro de largura. De repente, uma curva simples precisava de um bom golpe de vista, contagem de passos e muito suor debaixo do sol. Nessas experiências com land art , a adrenalina e o improviso deram lugar à paciência e ao planejamento. A área precisava estar plana, com areia dura e longe das árvores, para ser visível pelos moradores dos prédios da orla. Em 2006, durante a crise de falta de energia elétrica no Masp por falta de pagamento, montei 100 throwies (uma bateria, um LED e um imã colados jun- tos) para fazer uma oferenda eletrônica. A intenção era não só iluminar a placa do museu, mas, simbolicamente, as par- tes que negociavam a dívida. Influenciado pelos amigos do duo 6eMeia, pintei os pixels encontra- dos nas tampas de ferro das compa- nhias telefônicas. Durante essas inter-

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