19 URBE  #5  intermitências URBANAS celma paese Chá em Ararat 1 Roma è una mamma generosa : a ve- lha loba acolhe e alimenta quem che- ga para beber em suas tetas. Viver em Roma é conviver com o sagrado e o profano, com a hospitalidade e a hos- tilidade; antíteses que na maior parte do tempo se confundem. O patchwork cultural é enriquecido há milênios por estrangeiros, que chegam à cidade bus- cando acolhimento e hospitalidade em suas diversas formas. Os curdos, povo de tradição nômade do Oriente Médio, encontraram no ex mattatoio (mata- douro) da velha capital um logos de es- perança, e o batizaram de Ararat. Conheci o Ararat em uma tarde ensolarada de setembro de 2013, durante a deriva pelo complexo do antigo Matta- Entrate! Prego! Volete um te? toio de Testaccio, junto com o professor Francesco Careri e os alunos do seu La- boratorio Arti Civiche (LAC) – filiado à Fa- culdade de Arquitetura de Roma 3 – que participavam do nosso workshop cha- mado Walking Mattatoio 2 . O objetivo do workshop era o mapeamento dos espa- ços de hospitalidade e acolhimento, atra- vés de derivas, dentro daquele espaço com um passado literalmente sangrento. Hoje, o complexo do Mattatoio acolhe diversas atividades, porém, nem todas elas se acolhem: começamos pelo Ararat, localizado ao lado do pórtico de entrada do Campo Boario, no prédio que antigamente abrigava o veterinário que atendia os animais que chegavam para serem mortos. Entrada do Ararat com vista do jardim/oásis, na área interna do Campo Boario. Dentro dos tapumes, à esquerda, está a Academia de Belas Artes. Margeando o Campo, estão os edifícios que abrigam as baias de cavalos Foto: Maria Rocco, 2013

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