20 URBE #5 intermitências URBANAS mover uma parte deles até abrir uma passagem, que sairá à esquerda dos tapumes que cercam a Academia de Belas Artes, isolando-a. Em frente, está um empório orgânico e caro que dá passagem para os prédios do antigo mattatoio . Alguns destes são, atualmente, ocu- pados por uma das sedes Faculdade de Arquitetura de Roma 3, outros abri- gam parte do Museu de Arte Contem- porânea de Roma – MACRO –, dois ba- res e casas de velhos residentes locais. Alguns edifícios estão abandonados. Um deles, o do mangiattoio dos por- cos, foi o local escolhido como base de nosso workshop. Tais locais não têm uso oficial e estão inseridos entre os edifícios ocupados pela faculdade de arquitetura “(...) como te chamas? Diga-me teu nome, como devo chamar-te, eu que te chamo, que quero chamar-te pelo nome? Como vou chamar-te? É assim também que se dirige, terna- mente, às crianças ou aos amados.” (DERRIDA, 2003, p.27) O povo curdo é originário de uma região que não consta em ma- pas oficiais, o Curdistão, que se divide entre Turquia, Armênia, Síria, Georgia, Iraque e Irã. Os curdos falam as línguas destes países, mas alguns poucos ain- da falam a língua curda, relegada em seu território natal ao uso doméstico, assim como também são os seus cos- tumes. Ironicamente, a agonia desta cultura foi o que uniu os que foram em busca de novas terras. E, assim, a diás- pora curda tem início nos anos 60 do século 20. Ao imigrar para os países da União Europeia em busca de asilo, os curdos passaram a desafiar o dogma- tismo do logos europeu. Falando lín- guas estranhas entre eles e estranhas à língua de direito dos países onde reivindicam asilo, os curdos temem ser tratados como invasores: convivem com o fantasma da incompreensão dos donos da terra aonde chegam. Nestas circunstâncias, eles sentem-se ameaçados pelo fantasma da depor- tação, o que, pressupostamente, pode acontecer a qualquer momento. Retirada de um pedaço do tapume para criar uma passagem Foto: Maria Rocco, 2013 Circundando o Campo Boario por dentro, existem os antigos pré- dios de alojamento de animais, que hoje servem como baias para os cava- los que conduzem as charretes dos tu- ristas na área do fórum imperial. Mais adiante do caminho, entre os edifícios das baias dos cavalos e o muro de ta- pumes de madeira que cruza o Cam- po até o seu final, encontramos uma passagem fechada. A sugestão é re- celma paese
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