23 URBE  #5  intermitências URBANAS DANIEL CAMINHA Segundo estatísticas apresentadas nes- te ano (2014) no relatório Perspectivas da Urbanização Mundial , produzido pela Organização das Nações Unidas, cerca de 54% da população global, hoje, mora em áreas urbanas e essa proporção deverá crescer para 66% nos próximos 35 anos. Isso significa que, até 2050, duas em cada três pessoas vão viver em cidades. Essa previsão indica a necessidade de nos ocuparmos em desenvolver melhores condições de vida nesse ambiente coletivo que com- partilhamos. Os desafios são grandes e diversificados e tangem a capacidade de mobilidade, oferta de trabalho, aten- dimento à saúde, condições de segu- rança, acesso à educação, prevenção a doenças, poluição, acúmulo de resídu- os, entre tantos outros. Mas, apesar das diferentes características, todos desa- fios podem ser resumidos pelo índice de qualidade de bem-estar que pos- sibilitam às pessoas. Ou seja, em uma análise crua, trata-se de pensar quais são os recursos que a cidade tem para oferecer dignidade aos seus habitantes. Podemos ser mais exigentes (e isso é importante) e substituir “dignidade” por “boas condições de vida”. Então, pergunto: quais são os re- cursos que Porto Alegre tem para ofere- cer boas condições de vida (dignidade) aos porto-alegrenses? A resposta é individual e vale uma listinha. Minha intenção não é ge- rar pessimismo, pelo contrário, busco um exercício de reflexão para chegar em uma ideia positiva. Acredito que a maior parte dos recursos que fazem com que a cidade ofereça boas con- dições de vida para as pessoas está relacionada a elementos e ambientes de uso comum. Isso por que, quando pensamos de forma ampla sobre qua- Circuito Montagem Preparando espaços para cocriar uma cidade sensível

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