37 URBE  #5  intermitências URBANAS vas insuspeitadas. Outra sugestão: vagar por Santa Maria atrás de histórias de um velho conhecido dos moradores daque- la região, o vento norte. São essas as mo- tivações de alguns dos personagens que ganharam vida através de vídeos, ilustra- ções, performances e outras formas de intervenção urbana e digital realizadas pelos participantes do projeto. No Cidade Transmídia, um per- sonagem é um somatório de forças que transcendem a ideia simples de uma criatura inventada por um autor. É fruto de um coletivo e seu corpo é moldado ora pelo olhar em primeira pessoa da câmera subjetiva nos vídeos postados no mapa on-line, ora pelos cartazes e adesivos afixados em tapu- mes e postes e também pelas várias outras ações de intervenção criativa no corpo físico e digital da metrópole. Cir- culam sem serem vistos, mas fazendo sentir a sua presença. Podem ser inter- pretados, portanto, como filtros para o olhar, já que emprestam seus an- seios, desejos, inseguranças e convic- ções para quem decidir experimentar o mundo através de sua perspectiva. É nesse processo que deslocamos um pouco a nossa percepção para passar a ver o mundo pela ótica do outro. A cidade, arena de significação coletiva Um dos principais pressupostos trazi- dos pela Arte Conceitual, no qual o Ci- dade Transmídia se apoia, é o incentivo à concepção de obras que se dirigem aos espectadores como participantes ativos, de modo a estabelecer proces- sos de coautoria entre artistas e públi- cos. Essa concepção de arte, inaugura- da por artistas de vanguarda do início

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