38 URBE #5 intermitências URBANAS posto aos participantes que vagassem sem rumo por uma localidade, geral- mente urbana, tendo como objetivo criar condições para que os estímulos sensoriais do ambiente – sonoridades, aromas, formas arquitetônicas etc. – envolvessem por completo o sujeito que praticava essa técnica. Essas motivações trazidas pela Arte Conceitual se atualizaram ao lon- go dos anos, os artistas cada vez mais produzem suas obras tendo em vista a (inter)ação do público que as com- pleta. Nesse caminho estão artistas contemporâneos como Julian Bee- ver 3 , Candy Chang 4 , Panya Clark Espi- nal 5 . Em comum com a proposta que buscamos no Cidade Transmídia, está a ideia de transformar os espaços ur- banos em territórios lúdicos, criando do século, reconfigura formatos e dis- solve antigas premissas, colocando a transitoriedade no lugar da permanên- cia, estimulando a reprodutibilidade em detrimento à unicidade, as poéticas derivadas de práticas de apropriação em contraposição à noção de autoria. Para os artistas da Arte Con- ceitual, o contexto em que a obra é apresentada se transforma no próprio meio para criação artística. É uma ten- dência à desmaterialização que ganha no espaço urbano uma arena de pos- sibilidades de significação, a partir das quais são promovidas interações com os elementos da cidade em busca das poéticas cotidianas, tal como observa- mos na prática de deriva ( derivé ) uti- lizada pelo movimento Situacionista nos anos de 1960. Nas derivas, era pro- CAMILA FARINA E TIAGO LOPES
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