39 URBE #5 intermitências URBANAS Camila Farina é mestre em Comunicação Social pela Unisinos (2008). Diretora da agência cultural Maria Cultura. Professora nos cursos de graduação em Design da UniRitter. Professora nos cursos da Escola de Criação da ESPM/POA. Tem especialização em roteiro e direção de atores pela EICTV, Cuba (2006). Tiago Lopes é mestre e doutor em Comunicação Social pela Unisinos (2014). Coordenador do Grupo de Estudos em Narrativas Interativas, vinculado ao curso de graduação em Jogos Digitais da Unisinos. Professor nos cursos de graduação em Comunicação Digital, Jogos Digitais, Realização Audiovisual e Publicidade da Unisinos. Tem especialização em roteiro e direção pela EICTV, Cuba (2006). NOTAS 1 Canevacci, Massimo. A Cidade Polifónica. Ensaio sobre a antropologia da comunicação urbana. São Paulo: Studio Nobel, 1993. 2 Na recente edição Rio Grande do Sul, o projeto passou também por Pelotas, Santa Maria e Caxias do Sul graças à premiação no Edital Claro Ideias e ao financiamento via LIC RS. Em cada cidade, durante uma oficina de quatro dias, é reunido um grupo de 20 pessoas, que se divide na criação e na gestão de quatro personagens que ganham vida na plataforma on-line http://www.cidadetransmidia.com.br. 3 http://www.julianbeever.net/ 4 http://candychang.com/projects/ 5 http://www.panya.ca 6 Disponível em: <http://www.pacmanhattan.com> 7 Os QR Codes – quick response codes – são semelhantes aos códigos de barra que encontramos nos produtos de supermercados e também servem para “guardar” informação. Entretanto, os QR Codes são bidimensionais e, por isso, conseguem armazenar mais informação do que os códigos de barra. Enquanto os códigos de barras conseguem armazenar somente 20 dígitos, há tipos de QR Codes que podem armazenar mais de 7 mil. Before i die..., Candy Chang experiências estéticas que, não raro, fazem uso de recursos tecnológicos como aliados. Os meios tecnológicos e a conexão com a cidade Os gadgets tecnológicos que nos cer- cam – computadores portáteis, tele- fones celulares, redes WiFi de internet, navegadores GPS, relógios de pulso inteligentes, dentre outros – estão cada vez mais integrados as nossas experi- ências cotidianas, passando a operar cada vez mais como poderosas máqui- nas de subjetivação que permitem aos homens produzirem e trocarem infor- mações em qualquer lugar e a qual- quer tempo. Mais do que isso, ao se colocarem literalmente acoplados aos objetos mais ordinários de nosso uso diário (como, por exemplo, os sensores de medição de distâncias e passos que integram alguns modelos de tênis de corrida), as tecnologias computacionais criam ambientes de conexões múltiplas e de fluxos informacionais entre pesso- as e artefatos tecnológicos como nunca antes havíamos presenciado, formando ambientes físicos tão intensamente co- nectados ao ciberespaço ao ponto de provocarem alterações nas formas mais profundas pelas quais as sociedades se organizam e evoluem. Alguns exemplos representati- vos desses acontecimentos compre- endem desde aplicativos para telefo- nes celulares, como o Foursquare, que funciona como uma rede social on-line e móvel que opera a partir da geolo- calização dos seus usuários, ou ainda jogos locativos, como Pac-Manhattan 6 (2004), que conectam usuários on e off-line e transformam a arquitetura ur- bana em um grande jogo de tabuleiro formado por quadras, ruas, avenidas, praças e parques. Outras manifestações incluem o uso de telefones celulares para download de informações digitais geolocalizadas, acessadas através de marcadores de Realidade Aumentada e QR Code 7 fixados em prédios, muros, placas e monumentos. Experiências como essas são sintomáticas de um conjunto de prá- ticas que agem desde uma periferia da tecnocultura urbana do século 21, trazendo à tona novas dimensões para pensarmos a convergência de técnicas e tecnologias de comunicação como uma grande plataforma para expres- são de subjetividades que atualizam o papel do indivíduo em sua relação com as mídias e com a cidade. Dessa forma, o projeto Cida- de Transmídia age no cerne da atual configuração da cidade e de sua re- lação com seu novo habitante analó- gico-digital. Nunca se falou tanto em repensar o espaço urbano. Nunca se agiu tanto artisticamente no corpo da cidade. E, ao mesmo tempo, nunca houve maior possibilidade de amplia- ção da experiência homem-cidade como agora, que os meios digitais trazem soluções rápidas de novas sig- nificações. Foto: Shake Shack
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