42 URBE #5 intermitências URBANAS ção. Mestres ajudavam os seus pupilos no que diz respeito à técnica e à inteli- gência de se pensar a arte. Mas entre o mestre Gustav Klimt e seu pupilo Egon Schiele, vemos que um inspirou o ou- tro, sem interferir no tema e na aborda- gem. Existia uma obrigação natural no que diz respeito à originalidade. Essa era a única forma de ter destaque em um mercado que era muito menor do que o de hoje, porém, muito mais ren- tável para quem conseguia algum reco- nhecimento. O que eu tento demonstrar com esses exemplos é o fato de que até que a internet nos cuspisse na cara mais in- formação do que conseguimos absor- ver, a vida era o que ligava os maiores caras da história. Hoje em dia, o preten- so e imberbe artista se alimenta e re- pete tudo o que enxerga. Sem nenhu- ma culpa pela falta de personalidade. O corpo da obra de um artista não era a base de inspiração primordial para o outro artista que o admirava. E por mais que cada uma dessas épocas tivesse as suas limitações tecnológicas, a inspi- ração para esses caras parecia infinita. A forma de falar sobre assuntos tão sin- gelos era extremamente original. Agora, vamos para o começo dos anos 2000, quando começam as primei- ras redes, blogs e comunidades artísti- cas na internet. E como todo o cenário mudou desde então. Até o final da década de 1990, a dificuldade de se encontrar qualquer material artístico um pouco menos po- pular era uma missão heroica. Os afic- cionados por novos sons sofriam na dependência de que um amigo de fa- mília mais rica trouxesse algummaterial novo dos Estados Unidos ou da Europa. Lembro como se fosse hoje o dia em que descobri o Napster, e que poderia baixar um monte de músicas conhecidas e desconhecidas em uma velocidade de tartaruga. Mas para mim e para os meus amigos não poderia existir nada mais brilhante. Tentei achar no Google qual foi o primeiro blog de arte a ser lançado na internet, entretanto não consegui ne- nhuma resposta em que pudesse acre- ditar. Minha primeira interação com as redes sociais foi em 2001, quando criei uma conta no Live Journal. Foi lá que tive o meu primeiro contato com cura- dores on-line, gente dedicada a procu- rar material artístico de qualidade para distribuir ao mundo commuita genero- sidade. Vamos voltar nesse ponto, mas essa distribuição generosa, e muitas ve- zes sem crédito, foi o começo do gran- de ponto de virada do mercado da arte. A IdeaFixa foi criada em 2006, e antes de se tornar uma empresa de curadoria multiplataforma, era apenas uma revista on-line dedicada a mostrar trabalhos de pessoas que ninguém co- nhecia. Afinal, nessa época, nenhuma janara lopes Bildini Eugenia Primavesi , Gustav Klimt
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