43 URBE #5 intermitências URBANAS mídia brasileira estava interessada em dar espaço a uma pessoa que já não tivesse um reconhecimento nacional, ou internacional, como Vik Muniz ou Romero Britto. Foi fazendo as primeiras curado- rias para as edições on-line que percebi que existiammovimentos artísticos que estavam surgindo e sendo replicados na era pós-internet. Você provavelmente já viu algu- ma imagem em que arabescos e “co- brinhas” coloridas e volumosas apare- cem. O criador dessa onda é brasileiro e se chama Adhemas Batista. Ele ficou mundialmente famoso ao colocar es- ses elementos num site feito para a Havaianas. E diferente das décadas e séculos anteriores, a velocidade com que esse estilo chegou a vários aspirantes a ar- tistas foi infinitamente maior que qual- quer movimento artístico do passado, que se propagava através de mesas de bar, e que só chegariam a outro conti- nente depois de anos. Dois anos mais tarde, as cobri- nhas e arabescos foram replicadas e desgastadas a ponto de perderem o seu valor. E olha que eu falo de apenas dois anos! Os movimentos artísticos dos séculos passados levaram anos para se consolidarem, mais alguns anos para serem deglutidos e, final- mente, seus criadores são creditados até hoje pela iniciativa. Na era pós-internet ninguém sabe direito de quem é o original e o que é cópia. Pior ainda: viram um tutorial de “como se faz”. O Low Brow foi um movimen- to artístico underground que surgiu em Los Angeles no final dos anos de 1970. A Wikipédia diz que “é um mo- vimento de arte populista com as suas raízes culturais nos quadrinhos under- ground, na música punk, e em outras culturas de rua. É também muitas ve- zes conhecido como Surrealismo Pop” . O mais conhecido pintor do movimento Low Brow pós-internet é um cara chamado Mark Ryden. Ape- sar de ter começado a pintar antes da onda digital, ele sempre foi reconhe- O abraço , Egon Schiele Adhemas Batista
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