45 URBE  #5  intermitências URBANAS portas de banheiro, hoje em dia virou o grande trunfo do mercado publicitário. Aquela velha história de se apropriar da arte para vender produtos, Walter Ben- jamin, A obra de arte na Era da Repro- dutibilidade , etc. “Considera-se grafite uma ins- crição caligrafada ou um desenho pintado ou gravado sobre um suporte que não é normalmente previsto para esta finalidade. Por muito tempo visto como um assunto irrelevante ou mera contravenção, atualmente o grafite já é considerado como forma de expres- são incluída no âmbito das artes vi- suais, mais especificamente da street art ou arte urbana – em que o artista aproveita os espaços públicos, crian- do uma linguagem intencional para interferir na cidade.”( wikipédia) Se, no começo do grafite, o que era valorizado erama ousadia e a espon- taneidade de invadir, subir e deixar a própria marca em lugares inesperados, o que a gente mais encontra atualmen- te são novos integrantes do “movimen- to” criticando os bombs e tags clássicos, e valorizando apenas os grandes traba- lhos ilustrativos. Eliminando a parte que torna aquele tipo de arte única. Existe toda uma cultura que se dedica a invadir metrôs e estações de trem para pintar os vagões em poucos minutos. Obviamente, não existe nada er- rado com um desenho bonito e bem- -feito em um mural. Mas, se você for um pouco mais crítico, perceberá que muito do que é produzido hoje em for- ma de grafite também é um reflexo das imagens em loop que vê na internet to- dos os dias. Dá uma saudade do lado punk do fazer para conseguir, mais do que para ter reconhecimento ou ter suces- so. Mas sucesso, é claro, é relativo. Somado a isso, tem a publicida- de. Que vez ou outra se apropria de um O jardim das delícias , Hieronymus Bosch

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