11 URBE | # 02/04 | CORES URBANAS Daniel Müller Caminha é psicólogo, empresário e artista. Diretor da Estúdio Nômade (estudionomade.com.br) , empresa que desenvolve estratégias de relacionamento institucional através de projetos socioculturais focados em inovação. Desenvolveu projetos para empresas como o Banco Santander (www.agora.art.br ), AES Sul (www.serarvore.com.br) . É um dos idealizadores do TransvençãoLAB (www.transvencaolab.net ), iniciativa que promove criatividade voltada para soluções para a cidade; Estante Pública (estantepublica.com.br ) e Exorcismos Urbanos (exorcismosurbanos.com) . Imagens: Daniel Müller Caminha Agradecimentos: Ao amigo e fotógrafo Danilo Christidis, pelos ensinamentos de imagem e fluxos. não justificando suas percepções nas ações e interpretações dos outros. De forma resumida, a visão deter- minista do colorido de uma cidade é o resultado de uma complexa relação de forças que segue um padrão repetitivo sempre na perspectiva de um outro (imaginário ou simbólico), estabelecen- do assim um cenário reativo, onde não há energia para a criatividade. PARA VER TODAS AS CORES, PRECISO ASSUMIR QUE QUERO VER TODAS AS CORES! Nietzsche fala nas três transformações do espírito em um de seus aforismos em Assim falou Zaratustra . Como o ca- melo se torna leão e o leão se transfor- ma em criança, em um processo que não é evolutivo, mas, sim, sistemático , em cada momento de vida podemos es- tar em um desses níveis. Vale citar como Nietzsche entende a saúde, ou o “grande livramento”, processo pelo qual o espírito torna-se livre, o que seria o estado final da transmutação – a criança. “Aquela madura liberdade do espírito que é também autodomínio e disciplina do coração e permite os caminhos para muitos e opostos modos de pensar, (...) aquela interior envergadura e mimo do excesso de riqueza, que exclui de si o pe- rigo que porventura o espírito se perca em seu próprio caminho e se enamore de si e em algum canto fique sentado ine- briado, (...) aquele excedente de forças plásticas, regeneradoras, conformadoras e restauradoras, que justamente o sinal da grande saúde, aquele excedente que dá ao espírito a perigosa prerrogativa de viver para o ensaio e poder oferecer- -se à aventura: a prerrogativa de maes- tria do espírito livre.” Assim, podemos dizer que a po- tência para romper com as limitações referências FLORES, M. “Origeme fundação de Porto Alegre.” In: DORNELLES, B. (org.) Porto Alegre emdestaque: história e cultura. Porto Alegre: Edipucrs, 2004. MACERATA, IacãMachado. “‘... como bruxos maneando ferozes’: relações de cuidado e de controle no fio da navalha. Experiência ‘psi’ emdispositivo da política de assistência social para crianças e adolescentes em situação de rua.” RJ, Niterói: UFF. 2010. MACHADODA SILVA, J. “Vista de Porto Alegre.” In: DORNELLES, B. (org.) Porto Alegre emdestaque: história e cultura. Porto Alegre: Edipucrs, 2004. NAFFAHNETO, Alfredo. “Psicoterapia emBusca de Dionisio – Nietzsche visita Freud.” São Paulo: EDUC/Escuta, 1994. NIETZSCHE, Friedrich. “Assim falou Zaratustra: um livro para todos e para ninguém.” Chemnitz, 1883. perceptivas das cores em nosso convívio está na capacidade de esquecer as pré- -concepções emanadas pelos outros/ nós, por mais que elas pareçam verda- deiras. E, à altura justamente desse de- safio, colocar-se em atitude aventurei- ra, errante e desveladora. É a partir do momento que assumo que posso não conhecer determinado cenário, de que não domino uma leitura óbvia da minha cidade, que não conheço os fenôme- nos atuais que acontecem nos seus di- ferentes territórios, então passo a poder ver cores nunca antes vistas. É o olhar do estrangeiro em sua própria terra.

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