18 URBE | # 02/04 | CORES URBANAS Entendendo tendências como narrativas, relações dialógicas podem fundamentar as ligações entre o campo da arte e o do design, potencializando a geração de sentido para uma sensibilidade social Diálogos entre street art e design e a geração de novos sentidos Desde a antiguidade, suportes pre- sentes no ambiente urbano – como o muro – têm servido para veicular lingua- gens representativas. A perspectiva de transgressão muitas vezes fundamen- tou o ato de utilização desses suportes: a ideia de romper os limites dos padrões vigentes, proporcionando novos canais de diálogo entre indivíduos e represen- tações, é inerente ao ato de expressão. Mas o que expressar quando o suporte é comum a muitos? Interpretações do imaginário coletivo. Colocado dessa ma- neira, tudo parecemuito simples. Mas, na verdade, é justamente dessas relações, aparentemente simplórias, que surgiram muitos dos movimentos artísticos de vanguarda. O que rompe, então, não é a temática, mas a interpretação do fato, do evento representado. Ou, às vezes, a estética utilizada, pois ela deixa visível a perspectiva de subversão das lingua- gens existentes. Isso porque os aportes estéticos são compostos por signos, que acabam constituindo uma determina- da linguagem, passível de assimilação e compreensão. Essa linguagem trata de representar uma certa ideia, interpretada conforme o entendimento de um deter- minado – ou, determinados – indivíduo. Pode-se dizer que é uma relação com- plementar, que funciona, na maior parte dos casos, em dinâmicas interpretativas helicoidais: retorna-se a ideia, mas a in- terpretação é sempre outra, como um novo ponto de vista para o mesmo fato, PAULA VISONÁ por exemplo. O posicionamento do in- divíduo que compôs a representação é outro, e a recepção também tende a ser. Ideia, Interpretações, Sensibilidades Sociais e o Imaginário Coletivo Por quê? Porque, como diz o sociólogo Michel Maffesolli, estamos ligados por um magma fluido, intangível, que se materializa através de ações e interações entre indivíduos, objetos e artefatos (MAFFESOLI, 2002) 1 . As ações e intera- ções que ocorrem entre os objetos de arte e os indivíduos – independente do ambiente – exemplificam essa dinâmica. É justamente a partir dessas dinâmicas que podemos identificar tendências. Na verdade, diálogos entre interpretações, sem levar em conta os limites represen- tativos utilizados. Os ismos desdobrados na arte, ao longo do século XX, intensifi- caram essa prática, contribuindo para a identificação de necessidades e desejos fragmentados, que acabaram conver- gindo para a atual aceitação da diversi- dade como paradigma social e, portan- to, também estético. Nesse sentido, sem dúvida, a street art aponta caminhos para o entendimento do atual estágio do imaginário coletivo, e isso se intensifica devido à profusão de diálogos operados entre o campo da arte e outros campos. Assim, o campo do design des- ponta como mecanismo de difusão da expressão veiculada pela street art, inde-
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